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LITERATURA NACIONAL
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O conto da raposa de Filipe de Lima

quarta-feira, 22 de julho de 2026
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Oi, Pockets!🍂🦊

Hoje a dica é O Conto da Raposa, de Filipe de Lima, uma leitura que acompanhei na leitura coletiva organizada pela @lcagcomunicacao.

Confesso que adorei essa história! É uma fantasia que mistura mitologias, lendas japonesas e elementos do folclore, tudo muito bem construído.

Acompanhamos Miguel, um jovem pintor que cresceu ouvindo as histórias do avô sobre uma misteriosa raposa que, na verdade, seria uma poderosa feiticeira. Durante muito tempo, ele não soube se acreditava ou não nesses relatos, até conhecer Dimas, um homem que fica admirado por sua arte e começa a compartilhar diversas lendas do Japão. A amizade entre os dois cresce, e Miguel aceita o convite para conhecer o Japão ao lado de Dimas.

Mesmo antes da viagem, Miguel passa a ter sonhos e visões recorrentes com uma raposa. Ao chegar ao Japão, essas experiências ficam cada vez mais intensas, como se algo o estivesse conduzindo para um destino inevitável.

Além do aspecto fantástico, a narrativa também apresenta os desafios da adaptação a uma nova cultura. Miguel precisa lidar com um idioma desconhecido, costumes diferentes e ainda enfrenta os impactos de uma guerra civil. Enquanto tenta encontrar seu lugar, ele se dedica a ajudar a comunidade em pequenos serviços e, em um desses momentos, conhece Momoe, uma mulher que desperta sua curiosidade desde o primeiro encontro.

Conforme os acontecimentos avançam, os sonhos se tornam cada vez mais reais e perigosos. Em determinados momentos, Miguel parece atravessar mundos que desafiam a própria realidade e, quando retorna, se vê sendo cuidado por Momoe.

Momoe foi uma das personagens de que mais gostei (mesmo duvidando dela). Ela é curandeira e conhecedora das ervas. Ao mesmo tempo em que demonstra cuidado por Miguel, desperta suspeitas por parecer esconder segredos. E, até o final, ela deixa a gente na dúvida.

Gostei muito de como o autor trabalhou a cultura japonesa, as lendas e os diversos questionamentos que surgem ao longo da trama. Os personagens são bem construídos, suas motivações fazem sentido, e os mistérios envolvendo a raposa, Momoe e o próprio Miguel vão sendo revelados aos poucos, mantendo a curiosidade do início ao fim.

A escrita é tão fluida que a leitura passa sem que a gente perceba. Confesso que, em alguns momentos, achei Miguel um pouco ingênuo, mas isso também faz sentido considerando sua pouca experiência com o mundo e com tudo o que estava vivendo. Já a Momoe conquistou meu coração, mesmo me fazendo desconfiar dela praticamente o tempo todo.

Foi uma leitura que me deixou tentando descobrir a verdade até as últimas páginas.

📚O livro está disponível para compra na Amazon



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Forte, Independente e Decepcionada de Andrea Chociacy

terça-feira, 21 de julho de 2026
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Hello, queridos Pockets! 🤍📚
Existem livros que chegam até nós justamente quando precisamos ouvir aquilo que estamos tentando silenciar.

Forte, Independente e Decepcionada, de @andreachociacy da @astralcultural, foi uma dessas leituras para mim. A autora é podcaster do @descobridepoisdeadultapod, onde há anos compartilha reflexões sobre a vida adulta, comportamento, relacionamentos e saúde emocional. Já acompanho seu trabalho há algum tempo e foi justamente por isso que minhas expectativas para este livro eram altas.

E posso dizer que elas foram correspondidas.
Ao longo da leitura, percebi que este não é um livro sobre abandonar a força que construímos ao longo da vida. É sobre entender que não precisamos carregar tudo sozinhas o tempo todo.

Andrea escreve como quem senta ao nosso lado para conversar. Sem julgamentos, sem respostas prontas e sem promessas milagrosas. Apenas nos convida a olhar para nossas escolhas, nossas cobranças e para o peso que, muitas vezes, aceitamos carregar como se fosse uma obrigação.

Algumas páginas me fizeram parar e respirar fundo. Não era apenas uma leitura; era como se alguém estivesse colocando em palavras sentimentos que tantas de nós aprendemos a esconder: a exaustão de tentar dar conta de tudo, o medo de demonstrar fragilidade e a busca incessante por uma perfeição que nunca chega.O que mais gostei foi perceber que a autora não trata a vulnerabilidade como fraqueza. Pelo contrário. Ela nos mostra que reconhecer nossos limites também é uma forma de coragem.

Fechei o livro com a sensação de que ser forte não significa suportar tudo sozinha. Significa, muitas vezes, ter coragem para pedir ajuda, desacelerar e escolher uma vida que faça sentido para nós, e não apenas para as expectativas dos outros.

📖 Uma leitura sensível, honesta e necessária, especialmente para quem, em algum momento, acreditou que precisava ser forte o tempo inteiro.

💬 E vocês, queridos Pockets? Em algum momento da vida também sentiram que precisavam dar conta de tudo sozinhos?

Quero muito conversar com vocês nos comentários. 🤍

Beijocas e inté a próxima! 📚✨



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A Samira e o Deserto de Augusto Branco

sexta-feira, 17 de julho de 2026
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🌺📚Hello, queridos Pockets! Como vão?

Hoje quero conversar com vocês sobre um romance nacional que me tocou profundamente.

Sabe aqueles livros que não terminam quando fechamos a última página? Aqueles que continuam vivendo dentro da gente, ocupando nossos pensamentos e nosso coração por muito tempo? A Samira e o Deserto, de Augusto Branco (@asamiraeodeserto), foi exatamente essa experiência para mim. 💙

Tive o privilégio de participar desta Leitura Coletiva promovida pela @lcagcomunicacao e confesso que fazia muito tempo que uma história não me emocionava dessa forma. Escrevo esta resenha com o coração ainda apertado e os olhos marejados.

Augusto Branco levou décadas para concluir este romance, e acredito que esse tempo dedicado à obra transpareça em cada capítulo. Sua escrita é delicada, sensível e profundamente humana, conduzindo o leitor por uma narrativa sobre amizade, amor, perdas, esperança e, principalmente, sobre a difícil arte de seguir em frente quando a vida nos obriga a dizer adeus.

Henrique, o Velho das Areias, conquistou meu coração desde as primeiras páginas. Mas foi ao conhecer sua história ao lado de Daiana que compreendi a verdadeira dimensão deste livro.

A relação entre os dois é construída com uma ternura rara. Sem exageros, apenas com gestos, lembranças e pequenos silêncios que dizem muito mais do que qualquer declaração.

Quando Daiana parte, entendemos que aquele jardim nunca foi apenas um jardim.

🌺 Cada flor.

🌺 Cada muda plantada.

🌺 Cada pedaço de terra cultivado com tanto carinho.

Tudo carregava uma lembrança.

Tudo era uma declaração de amor.

Tudo era saudade transformada em vida.

Foi impossível não me emocionar.

Mais do que um romance, **A Samira e o Deserto** fala sobre a extraordinária capacidade humana de transformar a dor em beleza. Mostra que o amor verdadeiro não desaparece com a ausência; ele apenas encontra novas maneiras de permanecer presente, seja em uma memória, em um gesto ou em um jardim que continua florescendo para quem já não pode mais voltar.

Quando terminei a leitura, permaneci alguns minutos em silêncio.

Não porque a história tivesse acabado. Mas porque senti que uma parte dela continuava viva dentro de mim.

E talvez essa seja a maior beleza da literatura: algumas histórias não terminam na última página. Elas criam raízes no coração do leitor e seguem florescendo muito tempo depois.
.
💛 Super indico esta leitura! Tenho certeza de que, assim como aconteceu comigo, vocês vão se emocionar profundamente, refletir sobre o amor, a saudade e a esperança e terminar a leitura com o coração aquecido e um carinho enorme por esta linda história.

Beijocas 💙 e até a próxima leitura, Pockets!



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A Outra Face da Morte do Pedro Luiz Sarro

quarta-feira, 1 de julho de 2026
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Oi, Pockets! 💙📚

A dica de hoje é A Outra Face da Morte, do Pedro Luiz Sarro, leitura realizada na leitura coletiva organizada pela @lcagcomunicacao.

Falar sobre a morte nunca é fácil. É um tema sensível, que cada pessoa vivencia de uma forma diferente. Justamente por isso achei muito interessante a maneira como o autor conduz essa história. Em vez de tratar a morte apenas como um momento de dor, ele nos convida a refletir sobre a vida, o luto, a espiritualidade e nossas escolhas.

A narrativa acompanha Neto, um jovem que, após enfrentar perdas importantes, inicia uma jornada de autoconhecimento. Nesse caminho, Peter, seu avô, se torna a figura mais marcante da história. Vindo da Noruega e carregando uma enorme bagagem de experiências, ele compartilha sua visão sobre a vida e a morte com muita serenidade. Foi, sem dúvidas, meu personagem favorito.

O amor entre Peter e Maria da Luz é retratado de uma forma muito bonita, mas também me chamou a atenção o carinho que ele demonstra pela filha Helena e pela esposa Vitória. São relações construídas com muito respeito, cuidado e afeto, que tornam os personagens ainda mais humanos e fazem a gente se apegar à família ao longo da história.

Outro ponto que despertou minha curiosidade foi a abordagem da doutrina espírita. Mesmo sendo católica, gosto muito de conhecer outras formas de compreender a morte e o que pode existir além dela. É um tema que sempre me faz refletir e amplia minha forma de enxergar a vida.

Confesso que, em alguns momentos, fiquei com um pé atrás em relação ao Neto. Tive a impressão de que ele demorou para valorizar tudo o que tinha ao seu redor e foi somente após as perdas que sofreu que começou a enxergar o mundo de outra maneira. Ainda assim, gostei de acompanhar sua evolução.

As viagens por diferentes países também enriquecem a narrativa, mostrando como novas culturas e experiências podem transformar uma pessoa.

A história nos convida a olhar para a morte com menos medo. Afinal, o luto faz parte da vida de todos nós, mas cada pessoa aprende a vivê-lo de uma forma única.

💙 O livro está disponível para compra na Amazon.




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Parir monstros; devorar filhos de Raul Damasceno

segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Oi, Pockets!

A dica de hoje é Parir monstros; devorar filhos, do Raul Damasceno, publicado pela Astral Cultural. Esse foi o meu primeiro contato com a escrita do Raul e já posso dizer que quero ler tudo o que ele escrever.

É uma história pesada, dolorosa e humana. Não é uma leitura fácil, mas também é daquelas impossíveis de largar. A escrita tem uma beleza quase poética que contrasta com a dureza dos acontecimentos, fazendo a narrativa ganhar ainda mais força.

Ao longo da leitura vivi um verdadeiro turbilhão de emoções. Em alguns momentos fiquei angustiada, em outros revoltada e, em vários, precisei fechar o livro por alguns minutos para respirar.

Essa leitura também me tocou de uma forma muito pessoal. Em 2024, eu perdi um bebê, e foi impossível não me emocionar ao acompanhar as diferentes formas como Raul aborda a maternidade. Não existe apenas um jeito de ser mãe. O livro apresenta mulheres que desejam um filho, mulheres que rejeitam essa experiência e mulheres atravessadas pela culpa, pelo medo, pelo amor e pelas expectativas impostas pela sociedade. Ler tudo isso despertou sentimentos que eu nem imaginava revisitar.

E é justamente aí que está uma das maiores forças da obra: ela não julga suas personagens. Apenas nos coloca diante delas e nos deixa sentir.

A relação entre Juriti e Sáusa foi uma das partes que mais me marcou. É uma amizade complexa, construída entre amor, inveja, culpa, acolhimento e dor. Em vários momentos eu não sabia exatamente o que sentir por elas, e acho que esse era justamente o objetivo do autor.

Os filhos também carregam marcas profundas. O livro mostra como a forma como somos criados, os silêncios, os traumas e os afetos atravessam gerações. Ninguém sai ileso dessa história. E os homens... sinceramente? Até agora eu não sei definir meus sentimentos em relação a eles. Em alguns momentos senti compaixão. Em outros, raiva. Depois compreensão. Logo em seguida, indignação novamente. São personagens humanos, cheios de contradições, e isso torna tudo ainda mais desconfortável.

A forma como Raul constrói a narrativa é incrível. As referências às músicas, especialmente às canções de Fagner, não estão ali apenas como trilha sonora, elas ajudam a contar a história deixando a escrita quase musical e poética.

Foi impossível não querer marcar o livro inteiro. Alguns trechos ficaram comigo:

✨ "O amor, quando se entranha na gente, é em tudo parecido com o anzol: te fisga e te segura de tal maneira que só sai se for rasgando tudo."

✨ "Amar é coisa de sangue."

✨ "Amizade é se deixar guiar pela cegueira do outro."

A ambientação da pequena vila de pescadores também merece destaque. O mar deixa de ser apenas cenário e passa a respirar junto com os personagens. Tudo parece ter vida: o vento, a água, o silêncio e até as canções.

A história mexeu comigo o tempo inteiro. É uma leitura que inquieta, faz questionar, sentir, sofrer e refletir. Não é um livro para passar o tempo; é daqueles que continuam morando na gente muito depois da última página. Foi a leitura que mais me impactou este ano e, sem dúvida, entrou para a lista das minhas favoritas. 



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Riacho Doce de José Lins do Rego

quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Carol Grayshadow por aqui e hoje trago a indicação do livro de José Lins do Rego da @globaleditora

Riacho Doce foi uma leitura que me surpreendeu muito positivamente, principalmente por mostrar um lado diferente da escrita de José Lins do Rego, pois já a conhecia um pouco com a leitura de Fogo Morto que é mais ligado ao ciclo da cana-de-açúcar, à vida nos engenhos e às relações sociais do Nordeste, aqui o autor entrega um romance que tem uma atmosfera mais intensa, mais passional e até um tanto mais sensual e mística sem perder a força literária que marca sua obra.

A história tem um clima muito envolvente no qual um vilarejo litorâneo, o calor, o mar, os costumes locais e toda a atmosfera nordestina criam uma ambientação viva e marcante. É o tipo de livro em que a gente quase consegue sentir o vento, o sal do mar e a tensão crescendo entre os personagens, mostrando dessa forma a força imagética do autor ao criar e tranformando a leitura ainda mais imersiva.

No livro, o foco não está tanto na decadência dos engenhos, mas sim na carga emocional muito forte presente na relação entre os personagens, e isso faz com que a leitura tenha um tom mais intenso e, em alguns momentos, até melancólico. É um romance que trabalha muito bem as tensões entre paixão e culpa, liberdade e convenção, atração e ruína.

A construção dos personagens, especialmente da protagonista, traz para a narrativa esse olhar de deslocamento, mostrando assim um estranhamento diante daquele universo e tornando a história ainda mais interessante porque o romance não fala apenas sobre um envolvimento amoroso, mas também sobre choque de realidades, diferenças culturais e sobre o quanto um lugar pode transformar — ou consumir — alguém.

José Lins do Rego, sabe construir emoções sem deixar de lado a crítica social, ressaltando que não é apenas uma história de amor ou desejo, mas um romance cheio de camadas, com uma atmosfera muito forte e um retrato humano bastante complexo.

Um observação que faço também é que a obra ganhou uma minissérie baseada no livro em 1990 com 40 capítulos reforçando o quanto essa história tem força dramática e visual. No geral foi uma leitura rica, intensa e muito interessante, especialmente para quem quer conhecer uma faceta menos comentada do autor, sem abrir mão da força da literatura regional brasileira.

E você leitor (a)? Já leu ou ficou interessado (a) nesse livro? Comenta 👇🏼 e vamos conversar sobre.



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Ninguém Ouve o Sangue de Elizandro Todeschini

segunda-feira, 22 de junho de 2026
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Oi, Pockets!

A leitura da vez foi Ninguém Ouve o Sangue, do Elizandro Todeschini, um livro curto, mas que me deixou pensando por muito tempo depois da última página.

A história se passa durante o período da Ditadura Militar e acompanha personagens que vivem em uma pequena comunidade do interior do Rio Grande do Sul. Entre eles, temos Vitório, um menino sensível que questiona muitas das violências que vê ao seu redor, e o professor Melchor, cuja chegada ao vilarejo acaba provocando mudanças no vilarejo.

Uma das coisas que mais gostei na leitura foi a forma como o autor mistura ficção e acontecimentos históricos. Em diversos momentos percebemos referências a fatos reais, o que torna a narrativa ainda mais impactante. Não estamos diante apenas de uma história inventada, mas de situações que dialogam com um período muito doloroso da nossa história e que, infelizmente, ajudam a entender porque certas feridas continuam abertas até hoje.

“A indiferença sangra por mãos limpas, e mata sem jamais sujá-las.”

A história fala sobre política, mas principalmente sobre pessoas. Sobre silêncio, medo, omissão, coragem e as consequências de escolher enxergar ou fingir que não vê.

Vitório foi um personagem que me conquistou desde o início. Sua sensibilidade diante do sofrimento dos animais e das injustiças ao seu redor contrasta bastante com a realidade em que vive.

O que mais me marcou, porém, foi o desfecho do professor. Eu já estava envolvida com a história, mas aquele final me deixou arrasada. É daqueles momentos que doem justamente porque parecem possíveis, porque lembram situações que realmente aconteceram e porque nos fazem refletir sobre quantas histórias semelhantes foram silenciadas ao longo dos anos.

Além da crítica social e política, o livro traz reflexões importantes sobre empatia, memória e sobre o perigo da indiferença diante das injustiças. Foi uma leitura rápida, intensa e necessária.

Vocês já conheciam Ninguém Ouve o Sangue?



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Biotecnosfera: uma experiência de sociedade de Lucas Araujo

sexta-feira, 19 de junho de 2026
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Olá, Pockets!!!
Hoje a indicação de livro é diferente de qualquer coisa que eu tenha lido até agora, estou falando de Biotecnosfera: uma experiência de sociedade. É de autoria de Lucas Araujo e lemos em parceria com a @lcagcomunicacao

O contexto da história se dá em um mundo colapsado, devido aos excessos cometidos em relação à natureza”. Então é formado um conselho com seis nomes (mais tarde conheceremos o sétimo elemento). Iniciamos o texto com a apresentação de várias propostas de governo, do ponto de vista econômico, mudanças climáticas, saúde pública, segurança e educação. Cada nome do conselho apresenta suas propostas. Como leitora fui automaticamente levada a julgar as ideias, concordar com algumas e questionar outras. (E me dei o direito de me aborrecer também com essa reunião).

Quando o sétimo personagem, Noah entra na história, minha forma de leitura muda completamente. Primeiro achei o personagem o mais questionador, incômodo, depois me identifiquei com ele, estava mentalmente fazendo perguntas que mais tarde ele faria ao conselho.

Nas propostas percebemos a presença contínua de tecnologia para solucionar os problemas do planeta, monitorar comportamentos humanos, variações na água, solo...previsões de futuro com simulações. Mas será que essa “invasão” tecnológica, que nos auxilia tão bem com respostas rápidas e precisas sobre um assunto seria suficiente para recomeçarmos uma vida de modo sustentável? E o fator humano, perde sua utilidade?

O livro traz diversas pautas para discussão, desde religião ao comportamento humano (destrutivo e egoísta) diante da necessidade de sermos úteis à terra, no sentido de nos educarmos para a regeneração ambiental, social e a vida em comunidade. Me questionei várias vezes se esse modelo de sociedade apresentada nos daria liberdade pra sermos o que quisermos ou se estaríamos presos a um modelo de vida programada, assim como em Admirável mundo novo: controle e propósito.

Sobre as impressões, confesso que me incomodei bastante no início, com a forma de apresentação do texto, mas o livro segue uma lógica interessante, aos poucos tudo vai fazendo sentido. Me deu uma sensação de desespero no final porque fiquei na dúvida se o Noah (sétimo do conselho) deveria ou não participar de tudo isso. Mas fiquei satisfeita!



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Na Estação que Paramos de Eduardo Armelin

segunda-feira, 15 de junho de 2026
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Hello, queridos Pockets! Como vão? ✨📖

Eu amo uma boa LC, e as organizadas pela @lcagcomunicacao têm sempre um lugar especial no meu coração. ❤️

Na Estação que Paramos, de Eduardo Armelin (@eduardoarmelin.reflita), é daqueles romances que nos lembram que os encontros mais importantes da nossa vida raramente são planejados. Uma história que fala sobre sonhos, esperança e sobre a forma surpreendente como o destino pode mudar tudo em questão de segundos.

David está vivendo um dos momentos mais difíceis de sua vida. Seus dois maiores sonhos — tornar-se pai e alcançar o reconhecimento profissional como investigador — parecem cada vez mais distantes. Mas a vida, às vezes, gosta de mudar os trilhos quando menos esperamos.
Tudo se transforma quando, durante um encontro inesperado no metrô, uma bebê é colocada em seus braços. A partir desse instante, nasce uma esperança capaz de iluminar até os dias mais escuros. Determinado a realizar o sonho da paternidade, David embarca em uma jornada repleta de desafios, obstáculos e escolhas que testarão sua força, sua coragem e sua capacidade de acreditar no impossível.

Mas esta leitura me tocou de uma forma ainda mais profunda. Ao acompanhar a história de David, foi impossível não olhar para a minha própria trajetória. Também vivi o sonho da maternidade chegando de uma forma inesperada. Quando a esperança já parecia distante, recebi em meus braços um pequeno ser de luz, com apenas alguns dias de vida, que transformou completamente nossa casa, nossa história e nossos corações.

Por isso, cada página deste livro encontrou um lugar muito especial dentro de mim. Porque a verdade é que nem sempre os sonhos chegam da forma que imaginamos. Às vezes, a vida altera a rota, muda os trilhos, nos leva para estações que nunca estavam em nossos planos. E é justamente nessas paradas inesperadas que encontramos aquilo que nosso coração procurava o tempo todo.
Com uma narrativa sensível, emocionante e repleta de humanidade, Eduardo Armelin nos entrega uma história sobre amor, pertencimento, família, recomeços e sobre a coragem de continuar acreditando mesmo quando tudo parece perdido.

Terminei essa leitura com o coração aquecido e os olhos marejados, lembrando que algumas das maiores bênçãos da vida chegam quando pensamos que já não há mais nada a esperar.
🚉 Uma leitura sobre amor, família, esperança, segundas chances e sobre a beleza dos caminhos que nunca planejamos percorrer.

E vocês? Acreditam que um único encontro pode mudar completamente uma vida?


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Protetores: O livro das magias ambíguas de Bruno Panda Lopes

quarta-feira, 10 de junho de 2026
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Hello Pockets, como vão? Mais uma LC Perfeita, da querida @lcagcomunicacao um livro nacional incrível; “Protetores: O livro das magias ambíguas” de Bruno Panda Lopes, @autorpanda da @edmultifoco.

Em um cenário que amo além da vida o “érrejota”, este livro transforma o Rio de Janeiro em um organismo vivo, espiritual e ameaçador. 📖🖤
Bruno Panda Lopes usa o Rio não apenas como cenário, mas como parte da própria narrativa. As ruas movimentadas, os becos silenciosos, as madrugadas abafadas, as igrejas antigas e a sensação constante de caos urbano criam uma atmosfera onde o sobrenatural parece existir logo ao lado da realidade cotidiana. É impossível ler sem imaginar que, enquanto a cidade segue sua rotina apressada, existe uma guerra invisível acontecendo entre sombras e entidades.

O mais fascinante é como o autor consegue capturar a dualidade do Rio de Janeiro: uma cidade ao mesmo tempo bela e perigosa, luminosa e sufocante, isso combina perfeitamente com o coração da história, nada é totalmente puro, nem a magia, nem as intenções, nem os próprios Protetores...
Com personagens peculiares, cada qual à sua maneira, carregando cicatrizes, segredos e um humor ácido que surge justamente nos momentos mais sombrios — como se rir fosse a última forma de permanecer humano diante do caos que ronda as ruas do Rio de Janeiro e estas 378 páginas. Eles carregam um desgaste emocional muito humano, não enfrentam apenas forças sobrenaturais, mas sim: culpa, medo e a pressão de sobreviver em uma cidade que parece absorver a dor das pessoas e devolvê-la em silêncio.
Em vários momentos senti que o Rio observava tudo, como uma presença viva acompanhando cada escolha errada.

A escrita cria imagens extremamente cinematográficas, há cenas que parecem envoltas pela luz amarelada dos postes cariocas, pelo som distante da cidade durante a madrugada e pela sensação de que algo antigo habita os espaços esquecidos.

O livro também acerta ao não transformar magia em algo bonito ou confortável, como tudo que estamos acostumados, nestas páginas ele atem peso, consequência, desgaste. Cada ritual parece arrancar algo de quem o pratica, como se o sobrenatural cobrasse um preço inevitável pela sobrevivência.
Terminei a leitura com a sensação inquietante de que talvez o Rio, não seja tão diferente, talvez esconda mais mistérios espirituais do que imaginamos, históricas não contadas, e talvez algumas pessoas caminhem entre nós carregando batalhas invisíveis atrás do olhar cansado.

"A tensão se espalhava como fumaça, infiltrando-se em cada gesto e pensamento. E não era só deles, mas da própria cidade aguardando o próximo passo. Sabiam que teria um preço. Ninguém precisava dizer, mas algo tinha sido quebrado, e não voltaria ao lugar.”

 Uma fantasia urbana nacional intensa e original, que transforma o Rio de Janeiro em um personagem sombrio, vivo e impossível de ignorar.



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Nordeste de Gilberto Freyre

quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Hello, Queridos Pockets! Como vão? ✨🌵📚

Existem leituras que nos ensinam, há as que nos encantam, e existem aquelas raras obras que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Nordeste: Uma Visão em Quadrinhos da Civilização do Açúcar, inspirado na obra de Gilberto Freyre e adaptado por André Balaio e Roberto Beltrão, com arte de Luciano Félix, da @globaleditora, foi uma surpresa maravilhosa.

Confesso que logo no início já fiquei maravilhada, encontrei algo muito maior do que o esperado: uma leitura que me surpreendeu pela capacidade de transformar conhecimento em encantamento.

Muito mais do que uma HQ, esta obra é uma viagem pelas raízes de uma das regiões mais fascinantes e complexas do Brasil. A cada página somos convidados a percorrer paisagens, rios, matas, engenhos, tradições, dores e resistências que ajudaram a construir a identidade nordestina.

O que mais me impressionou foi a forma como os quadrinhos conseguem dar vida a temas que, muitas vezes, parecem distantes ou excessivamente acadêmicos. Aqui, a história ganha cor, movimento e emoção. Os cenários respiram. Os rios correm. Os canaviais se espalham pelo horizonte. E as pessoas que ajudaram a construir essa história finalmente ocupam o espaço que merecem.

A obra não apenas revisita o pensamento de Gilberto Freyre, mas também dialoga com o presente. Ao abordar a contribuição dos povos para a formação cultural da região, a HQ amplia perspectivas e nos convida a refletir sobre heranças que ainda moldam nossa sociedade.

Foi impossível não me encantar com a riqueza visual desta edição. Cada quadro parece cuidadosamente construído para nos lembrar que a história não vive apenas nos livros: ela vive na terra, na água, nos costumes, na comida, na linguagem e na memória coletiva daqueles que nos apresentam a alma de um lugar, que nos ajudam a compreender nossas origens, que com sua simplicidade traduzem a identidade de uma região e nos levam ao encontro das nossas raízes.

Porque conhecer a história de um povo é também uma forma de entender quem somos.


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