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Parir monstros; devorar filhos de Raul Damasceno

segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Oi, Pockets!

A dica de hoje é Parir monstros; devorar filhos, do Raul Damasceno, publicado pela Astral Cultural. Esse foi o meu primeiro contato com a escrita do Raul e já posso dizer que quero ler tudo o que ele escrever.

É uma história pesada, dolorosa e humana. Não é uma leitura fácil, mas também é daquelas impossíveis de largar. A escrita tem uma beleza quase poética que contrasta com a dureza dos acontecimentos, fazendo a narrativa ganhar ainda mais força.

Ao longo da leitura vivi um verdadeiro turbilhão de emoções. Em alguns momentos fiquei angustiada, em outros revoltada e, em vários, precisei fechar o livro por alguns minutos para respirar.

Essa leitura também me tocou de uma forma muito pessoal. Em 2024, eu perdi um bebê, e foi impossível não me emocionar ao acompanhar as diferentes formas como Raul aborda a maternidade. Não existe apenas um jeito de ser mãe. O livro apresenta mulheres que desejam um filho, mulheres que rejeitam essa experiência e mulheres atravessadas pela culpa, pelo medo, pelo amor e pelas expectativas impostas pela sociedade. Ler tudo isso despertou sentimentos que eu nem imaginava revisitar.

E é justamente aí que está uma das maiores forças da obra: ela não julga suas personagens. Apenas nos coloca diante delas e nos deixa sentir.

A relação entre Juriti e Sáusa foi uma das partes que mais me marcou. É uma amizade complexa, construída entre amor, inveja, culpa, acolhimento e dor. Em vários momentos eu não sabia exatamente o que sentir por elas, e acho que esse era justamente o objetivo do autor.

Os filhos também carregam marcas profundas. O livro mostra como a forma como somos criados, os silêncios, os traumas e os afetos atravessam gerações. Ninguém sai ileso dessa história. E os homens... sinceramente? Até agora eu não sei definir meus sentimentos em relação a eles. Em alguns momentos senti compaixão. Em outros, raiva. Depois compreensão. Logo em seguida, indignação novamente. São personagens humanos, cheios de contradições, e isso torna tudo ainda mais desconfortável.

A forma como Raul constrói a narrativa é incrível. As referências às músicas, especialmente às canções de Fagner, não estão ali apenas como trilha sonora, elas ajudam a contar a história deixando a escrita quase musical e poética.

Foi impossível não querer marcar o livro inteiro. Alguns trechos ficaram comigo:

✨ "O amor, quando se entranha na gente, é em tudo parecido com o anzol: te fisga e te segura de tal maneira que só sai se for rasgando tudo."

✨ "Amar é coisa de sangue."

✨ "Amizade é se deixar guiar pela cegueira do outro."

A ambientação da pequena vila de pescadores também merece destaque. O mar deixa de ser apenas cenário e passa a respirar junto com os personagens. Tudo parece ter vida: o vento, a água, o silêncio e até as canções.

A história mexeu comigo o tempo inteiro. É uma leitura que inquieta, faz questionar, sentir, sofrer e refletir. Não é um livro para passar o tempo; é daqueles que continuam morando na gente muito depois da última página. Foi a leitura que mais me impactou este ano e, sem dúvida, entrou para a lista das minhas favoritas. 
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Bruxo do Vento da Susan Dennard

quinta-feira, 11 de junho de 2026
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Oi, Pockets! 💙

A indicação de hoje é o livro Bruxo do Vento, da autora Susan Dennard, publicado pela Astral Cultural.

Se em A Bruxa da Verdade eu já tinha ficado encantada com esse universo, em Bruxo do Vento a autora amplia ainda mais a história e mostra o quanto esse mundo é complexo, cheio de alianças, disputas e segredos.

Uma das coisas que mais gosto na escrita da Susan é a forma como acompanhamos diferentes pontos de vista. Aos poucos vamos conhecendo melhor cada reino, entendendo suas tramas e descobrindo como tudo está conectado. É aquele tipo de história em que cada nova informação parece encaixar mais uma peça de um grande quebra-cabeça.

Entre todos os personagens, gostei especialmente de acompanhar a trajetória de Merik. Desde o primeiro livro ele já tinha chamado minha atenção, mas neste volume conseguimos conhecê-lo de forma muito mais profunda. Foi interessante ver seu amadurecimento ao longo da história e perceber como os acontecimentos o obrigam a enxergar situações e pessoas de uma forma diferente. E preciso dizer que Cam teve um papel importante nisso, funcionando como aquele choque de realidade que abriu seus olhos para muitas coisas.

Outro destaque são as mulheres da história. Safiya, Iseult, Vivia, Vaness e Cam são personagens fortes, determinadas e dispostas a lutar por aquilo em que acreditam e por aqueles que amam. E ainda conhecemos uma nova personagem que, apesar de muito jovem, parece ter tudo para mudar os rumos da trama nos próximos livros.

Também gostei muito da forma como a autora trabalha as diferentes perspectivas. Em vários momentos mudei minha opinião sobre alguns personagens conforme novas informações eram reveladas. Inclusive, uma personagem que antes não estava entre as minhas favoritas acabou conquistando minha simpatia quando percebi que nem tudo era como parecia e que ela não era responsável por certos acontecimentos que eu imaginava.

Além disso, continuo extremamente curiosa para descobrir quais são os verdadeiros planos de Esme e qual é sua ligação com Iseult. Tenho a sensação de que ainda há muitos segredos para serem revelados.

Uma coisa que adorei foi que a história começa exatamente onde A Bruxa da Verdade terminou. Foi muito fácil voltar para esse universo, porque a sensação era de que eu apenas tinha virado a página e continuado acompanhando a jornada dos personagens. Isso tornou a leitura ainda mais envolvente para mim.

Terminei a leitura com várias respostas, ainda mais perguntas e, principalmente, com uma enorme vontade de começar o próximo volume.

E vocês, gostam de fantasias com intrigas políticas? Me contem nos comentários!



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Protetores: O livro das magias ambíguas de Bruno Panda Lopes

quarta-feira, 10 de junho de 2026
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Hello Pockets, como vão? Mais uma LC Perfeita, da querida @lcagcomunicacao um livro nacional incrível; “Protetores: O livro das magias ambíguas” de Bruno Panda Lopes, @autorpanda da @edmultifoco.

Em um cenário que amo além da vida o “érrejota”, este livro transforma o Rio de Janeiro em um organismo vivo, espiritual e ameaçador. 📖🖤
Bruno Panda Lopes usa o Rio não apenas como cenário, mas como parte da própria narrativa. As ruas movimentadas, os becos silenciosos, as madrugadas abafadas, as igrejas antigas e a sensação constante de caos urbano criam uma atmosfera onde o sobrenatural parece existir logo ao lado da realidade cotidiana. É impossível ler sem imaginar que, enquanto a cidade segue sua rotina apressada, existe uma guerra invisível acontecendo entre sombras e entidades.

O mais fascinante é como o autor consegue capturar a dualidade do Rio de Janeiro: uma cidade ao mesmo tempo bela e perigosa, luminosa e sufocante, isso combina perfeitamente com o coração da história, nada é totalmente puro, nem a magia, nem as intenções, nem os próprios Protetores...
Com personagens peculiares, cada qual à sua maneira, carregando cicatrizes, segredos e um humor ácido que surge justamente nos momentos mais sombrios — como se rir fosse a última forma de permanecer humano diante do caos que ronda as ruas do Rio de Janeiro e estas 378 páginas. Eles carregam um desgaste emocional muito humano, não enfrentam apenas forças sobrenaturais, mas sim: culpa, medo e a pressão de sobreviver em uma cidade que parece absorver a dor das pessoas e devolvê-la em silêncio.
Em vários momentos senti que o Rio observava tudo, como uma presença viva acompanhando cada escolha errada.

A escrita cria imagens extremamente cinematográficas, há cenas que parecem envoltas pela luz amarelada dos postes cariocas, pelo som distante da cidade durante a madrugada e pela sensação de que algo antigo habita os espaços esquecidos.

O livro também acerta ao não transformar magia em algo bonito ou confortável, como tudo que estamos acostumados, nestas páginas ele atem peso, consequência, desgaste. Cada ritual parece arrancar algo de quem o pratica, como se o sobrenatural cobrasse um preço inevitável pela sobrevivência.
Terminei a leitura com a sensação inquietante de que talvez o Rio, não seja tão diferente, talvez esconda mais mistérios espirituais do que imaginamos, históricas não contadas, e talvez algumas pessoas caminhem entre nós carregando batalhas invisíveis atrás do olhar cansado.

"A tensão se espalhava como fumaça, infiltrando-se em cada gesto e pensamento. E não era só deles, mas da própria cidade aguardando o próximo passo. Sabiam que teria um preço. Ninguém precisava dizer, mas algo tinha sido quebrado, e não voltaria ao lugar.”

 Uma fantasia urbana nacional intensa e original, que transforma o Rio de Janeiro em um personagem sombrio, vivo e impossível de ignorar.



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Toda a Beleza do Mundo de Patrick Bringley

terça-feira, 9 de junho de 2026
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Hello Pockets, como vão? Amo autobiografia, e esta de @patrickbringley da @editorarecord: “Toda a Beleza do Mundo”, é lindo, sensível e dolorido.

Tem dores que não passam, aoenas mudam de lugar dentro da gente. Bringley, começa com uma ausência impossível de organizar: a perda do irmão. E, diante disso, ele faz algo que parece quase um ato de resistênca, ele desacelera.

Enquanto o mundo exige movimento, ele escolhe ficar, enquanto tudo empurra pra frente, ele decide observar, e é assim que ele chega ao museu. Não por ambição, mas por necessidade.

Vestindo um uniforme simples, cercado por milhões de obras que contam histórias de séculos, aprende algo que não está nos livros de arte: que olhar também é um tipo de cura não uma que soluciona, e sim uma que sustenta.

Entre corredores silenciosos e multidões que passam sem perceber, Bringley encontra pequenos instantes de sentido — em um quadro, em um detalhe, em uma luz que atravessa a sala, aos poucos, a dor deixa de ser só ausência…
e começa a coexistir com a beleza.

Com isso refletimos que: nem tudo precisa ser superado para continuar, que parar também é um caminho, e que a arte não responde, mas acolhe...

E talvez seja justamente isso que mais emocione,
a ideia de que, mesmo quebrados, ainda podemos encontrar algo bonito o suficiente… para ficar e não desistir.

Queridos só posso dizer leiam, uma obra que não fala sobre aprender arte e sim sobre aprender a permanecer.

Beijocas e inté a próxima!


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Antologia do Folclore Brasileiro vol.1 de Luís da Câmara Cascudo

segunda-feira, 8 de junho de 2026
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Olá Pockets!!!

Mais uma resenha saindo, e é de um livro maravilhoso da nossa parceira @editoraglobal, Antologia do Folclore Brasileiro vol.1.

A obra do grande Luís da Câmara Cascudo é um passeio por toda a história e registro do folclore brasileiro, termo esse que não sou muito fã (trocaria por mitologia brasileira), mas entendo a proposta do uso dela, reúne os mitos e lendas que permeiam o desenvolvimento da nossa cultura, cantigas, e registros históricos de pessoas que tiveram contato e estudos etnográficos com os povos originários.

O valor documental para estudo histórico, antropológico é inegável, como também para ter mais conhecimento de como é estruturado a nossa identidade a partir das relações de povos diferentes, um adendo importante à obra nesse sentido é a parte dos relatos, como do famoso Hans Staden, o qual vive uma situação trágica e hilária, que prova que a origem da zoeira BR é indígena 😂. 

E do Padre de Nóbrega, onde vemos como era a mentalidade sobre os indígenas na época, tido como selvagens à margem de qualquer tipo de desenvolvimento social, esse termo totalmente em desuso e preconceituoso, estamos falando aqui de século XVI, porém causa estrago até hoje, pois esse tipo de pensamento está vivo em muitas pessoas “desenvolvidas e globalizadas” com o acesso à tecnologia do século XXI.



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