Bruno Panda Lopes ·
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Protetores
Protetores: O livro das magias ambíguas de Bruno Panda Lopes
quarta-feira, 10 de junho de 2026
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Hello Pockets, como vão? Mais uma LC Perfeita, da querida @lcagcomunicacao um livro nacional incrível; “Protetores: O livro das magias ambíguas” de Bruno Panda Lopes, @autorpanda da @edmultifoco.
Em um cenário que amo além da vida o “érrejota”, este livro transforma o Rio de Janeiro em um organismo vivo, espiritual e ameaçador. 📖🖤
Bruno Panda Lopes usa o Rio não apenas como cenário, mas como parte da própria narrativa. As ruas movimentadas, os becos silenciosos, as madrugadas abafadas, as igrejas antigas e a sensação constante de caos urbano criam uma atmosfera onde o sobrenatural parece existir logo ao lado da realidade cotidiana. É impossível ler sem imaginar que, enquanto a cidade segue sua rotina apressada, existe uma guerra invisível acontecendo entre sombras e entidades.
O mais fascinante é como o autor consegue capturar a dualidade do Rio de Janeiro: uma cidade ao mesmo tempo bela e perigosa, luminosa e sufocante, isso combina perfeitamente com o coração da história, nada é totalmente puro, nem a magia, nem as intenções, nem os próprios Protetores...
Com personagens peculiares, cada qual à sua maneira, carregando cicatrizes, segredos e um humor ácido que surge justamente nos momentos mais sombrios — como se rir fosse a última forma de permanecer humano diante do caos que ronda as ruas do Rio de Janeiro e estas 378 páginas. Eles carregam um desgaste emocional muito humano, não enfrentam apenas forças sobrenaturais, mas sim: culpa, medo e a pressão de sobreviver em uma cidade que parece absorver a dor das pessoas e devolvê-la em silêncio.
Em vários momentos senti que o Rio observava tudo, como uma presença viva acompanhando cada escolha errada.
A escrita cria imagens extremamente cinematográficas, há cenas que parecem envoltas pela luz amarelada dos postes cariocas, pelo som distante da cidade durante a madrugada e pela sensação de que algo antigo habita os espaços esquecidos.
O livro também acerta ao não transformar magia em algo bonito ou confortável, como tudo que estamos acostumados, nestas páginas ele atem peso, consequência, desgaste. Cada ritual parece arrancar algo de quem o pratica, como se o sobrenatural cobrasse um preço inevitável pela sobrevivência.
Terminei a leitura com a sensação inquietante de que talvez o Rio, não seja tão diferente, talvez esconda mais mistérios espirituais do que imaginamos, históricas não contadas, e talvez algumas pessoas caminhem entre nós carregando batalhas invisíveis atrás do olhar cansado."A tensão se espalhava como fumaça, infiltrando-se em cada gesto e pensamento. E não era só deles, mas da própria cidade aguardando o próximo passo. Sabiam que teria um preço. Ninguém precisava dizer, mas algo tinha sido quebrado, e não voltaria ao lugar.”
Uma fantasia urbana nacional intensa e original, que transforma o Rio de Janeiro em um personagem sombrio, vivo e impossível de ignorar.
