Oi, Pockets!
A leitura da vez foi Ninguém Ouve o Sangue, do Elizandro Todeschini, um livro curto, mas que me deixou pensando por muito tempo depois da última página.
A história se passa durante o período da Ditadura Militar e acompanha personagens que vivem em uma pequena comunidade do interior do Rio Grande do Sul. Entre eles, temos Vitório, um menino sensível que questiona muitas das violências que vê ao seu redor, e o professor Melchor, cuja chegada ao vilarejo acaba provocando mudanças no vilarejo.
Uma das coisas que mais gostei na leitura foi a forma como o autor mistura ficção e acontecimentos históricos. Em diversos momentos percebemos referências a fatos reais, o que torna a narrativa ainda mais impactante. Não estamos diante apenas de uma história inventada, mas de situações que dialogam com um período muito doloroso da nossa história e que, infelizmente, ajudam a entender porque certas feridas continuam abertas até hoje.
“A indiferença sangra por mãos limpas, e mata sem jamais sujá-las.”
A história fala sobre política, mas principalmente sobre pessoas. Sobre silêncio, medo, omissão, coragem e as consequências de escolher enxergar ou fingir que não vê.
Vitório foi um personagem que me conquistou desde o início. Sua sensibilidade diante do sofrimento dos animais e das injustiças ao seu redor contrasta bastante com a realidade em que vive.
O que mais me marcou, porém, foi o desfecho do professor. Eu já estava envolvida com a história, mas aquele final me deixou arrasada. É daqueles momentos que doem justamente porque parecem possíveis, porque lembram situações que realmente aconteceram e porque nos fazem refletir sobre quantas histórias semelhantes foram silenciadas ao longo dos anos.
Além da crítica social e política, o livro traz reflexões importantes sobre empatia, memória e sobre o perigo da indiferença diante das injustiças. Foi uma leitura rápida, intensa e necessária.
Vocês já conheciam Ninguém Ouve o Sangue?

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