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José Lins do Rego
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Riacho Doce de José Lins do Rego

quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Carol Grayshadow por aqui e hoje trago a indicação do livro de José Lins do Rego da @globaleditora

Riacho Doce foi uma leitura que me surpreendeu muito positivamente, principalmente por mostrar um lado diferente da escrita de José Lins do Rego, pois já a conhecia um pouco com a leitura de Fogo Morto que é mais ligado ao ciclo da cana-de-açúcar, à vida nos engenhos e às relações sociais do Nordeste, aqui o autor entrega um romance que tem uma atmosfera mais intensa, mais passional e até um tanto mais sensual e mística sem perder a força literária que marca sua obra.

A história tem um clima muito envolvente no qual um vilarejo litorâneo, o calor, o mar, os costumes locais e toda a atmosfera nordestina criam uma ambientação viva e marcante. É o tipo de livro em que a gente quase consegue sentir o vento, o sal do mar e a tensão crescendo entre os personagens, mostrando dessa forma a força imagética do autor ao criar e tranformando a leitura ainda mais imersiva.

No livro, o foco não está tanto na decadência dos engenhos, mas sim na carga emocional muito forte presente na relação entre os personagens, e isso faz com que a leitura tenha um tom mais intenso e, em alguns momentos, até melancólico. É um romance que trabalha muito bem as tensões entre paixão e culpa, liberdade e convenção, atração e ruína.

A construção dos personagens, especialmente da protagonista, traz para a narrativa esse olhar de deslocamento, mostrando assim um estranhamento diante daquele universo e tornando a história ainda mais interessante porque o romance não fala apenas sobre um envolvimento amoroso, mas também sobre choque de realidades, diferenças culturais e sobre o quanto um lugar pode transformar — ou consumir — alguém.

José Lins do Rego, sabe construir emoções sem deixar de lado a crítica social, ressaltando que não é apenas uma história de amor ou desejo, mas um romance cheio de camadas, com uma atmosfera muito forte e um retrato humano bastante complexo.

Um observação que faço também é que a obra ganhou uma minissérie baseada no livro em 1990 com 40 capítulos reforçando o quanto essa história tem força dramática e visual. No geral foi uma leitura rica, intensa e muito interessante, especialmente para quem quer conhecer uma faceta menos comentada do autor, sem abrir mão da força da literatura regional brasileira.

E você leitor (a)? Já leu ou ficou interessado (a) nesse livro? Comenta 👇🏼 e vamos conversar sobre.



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Água-Mãe de José Lins do Rego

quinta-feira, 18 de junho de 2026
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Oi, Pockets!

Dando continuidade à minha leitura das obras de José Lins do Rego, a leitura da vez foi Água-Mãe publicado pela editora Global. Depois de conhecer os engenhos, foi interessante encontrar um cenário diferente, mas que mantém muitas das características que gosto na escrita do autor.

Desta vez, a história se passa às margens da Lagoa de Araruama, no interior do Rio de Janeiro, onde acompanhamos personagens de diferentes origens sociais cujos caminhos acabam se cruzando ao longo da narrativa. Entre pescadores, salineiros e uma família rica vinda da capital, José Lins constrói um retrato humano marcado por desejos, conflitos, perdas e desigualdades.

Mas preciso dizer que, para mim, a grande protagonista da história é a Casa Azul.

"Agora a Casa Azul era triste. Tinha uma história que contavam em voz baixa como se falassem de uma desgraça de família."

Abandonada durante anos e cercada por histórias sombrias, a casa está presente em praticamente toda a narrativa. Os moradores da região a enxergam com receio, alimentando lendas e superstições que passam de geração em geração. Gostei muito da forma como o autor trabalha essa atmosfera de mistério, sem transformar o romance em uma história de terror, mas mantendo constantemente a sensação de que algo paira sobre aquele lugar.

Outro aspecto que me chamou atenção foi a construção dos personagens. O livro apresenta um elenco grande, mas em nenhum momento tive a sensação de que eles estavam ali apenas para compor o cenário. Cada um carrega seus sonhos, suas fragilidades e suas próprias dores. E, mesmo pertencendo a mundos tão diferentes, existe um elemento que os aproxima: os laços familiares.

As figuras maternas tiveram um destaque especial para mim. São mulheres que enfrentam perdas, preocupações e desafios distintos, mas que encontram na maternidade um ponto de encontro capaz de ultrapassar diferenças sociais.

Água-Mãe não me envolvoveu da mesma forma que os outros do autor, mas foi uma leitura que reforçou minha admiração pela capacidade de José Lin criar personagens humanos e cenários que permanecem na memória muito tempo depois da leitura terminar.



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