Oi, Pockets!🍂🦊
Hoje a dica é O Conto da Raposa, de Filipe de Lima, uma leitura que acompanhei na leitura coletiva organizada pela @lcagcomunicacao.
Confesso que adorei essa história! É uma fantasia que mistura mitologias, lendas japonesas e elementos do folclore, tudo muito bem construído.
Acompanhamos Miguel, um jovem pintor que cresceu ouvindo as histórias do avô sobre uma misteriosa raposa que, na verdade, seria uma poderosa feiticeira. Durante muito tempo, ele não soube se acreditava ou não nesses relatos, até conhecer Dimas, um homem que fica admirado por sua arte e começa a compartilhar diversas lendas do Japão. A amizade entre os dois cresce, e Miguel aceita o convite para conhecer o Japão ao lado de Dimas.
Mesmo antes da viagem, Miguel passa a ter sonhos e visões recorrentes com uma raposa. Ao chegar ao Japão, essas experiências ficam cada vez mais intensas, como se algo o estivesse conduzindo para um destino inevitável.
Além do aspecto fantástico, a narrativa também apresenta os desafios da adaptação a uma nova cultura. Miguel precisa lidar com um idioma desconhecido, costumes diferentes e ainda enfrenta os impactos de uma guerra civil. Enquanto tenta encontrar seu lugar, ele se dedica a ajudar a comunidade em pequenos serviços e, em um desses momentos, conhece Momoe, uma mulher que desperta sua curiosidade desde o primeiro encontro.
Conforme os acontecimentos avançam, os sonhos se tornam cada vez mais reais e perigosos. Em determinados momentos, Miguel parece atravessar mundos que desafiam a própria realidade e, quando retorna, se vê sendo cuidado por Momoe.
Momoe foi uma das personagens de que mais gostei (mesmo duvidando dela). Ela é curandeira e conhecedora das ervas. Ao mesmo tempo em que demonstra cuidado por Miguel, desperta suspeitas por parecer esconder segredos. E, até o final, ela deixa a gente na dúvida.
Gostei muito de como o autor trabalhou a cultura japonesa, as lendas e os diversos questionamentos que surgem ao longo da trama. Os personagens são bem construídos, suas motivações fazem sentido, e os mistérios envolvendo a raposa, Momoe e o próprio Miguel vão sendo revelados aos poucos, mantendo a curiosidade do início ao fim.
A escrita é tão fluida que a leitura passa sem que a gente perceba. Confesso que, em alguns momentos, achei Miguel um pouco ingênuo, mas isso também faz sentido considerando sua pouca experiência com o mundo e com tudo o que estava vivendo. Já a Momoe conquistou meu coração, mesmo me fazendo desconfiar dela praticamente o tempo todo.
Foi uma leitura que me deixou tentando descobrir a verdade até as últimas páginas.

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