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"TUTAMEIA: TERCEIRAS HISTORIAS - JOÃO GUIMARÃES ROSA"


Oi Pockets!!

Esta obra magnífica marca a despedida do grande João Guimarães Rosa, foi publicado em 1.967 poucos meses antes do seu falecimento. Muitos podem pensar que título estranho... Vamos ao significado conforme página 13, segundo o mestre “Aurelio” Tutaméia significa: “Nonada, baga, ninha, inânias, ossos-de-borboleta, quiquiriqui, tuta-e-meia, mexinflório, chorumela, ninharia, quase-nada, preço vil, pouco dinheiro”... Melhora ou não? Hahahha, na minha humilde opinião não...

Mas deixemos de lado o título e analisemos a obra, o estupendo escritor descrevia perfeitamente fazendo uso de sua fina ironia: o sertão, o místico, o folclórico, o experimentalismo linguístico e o regionalismo social e isso não tem preço para nós os amantes da literatura brasileira.

Confesso que foi necessário mais de uma leitura para sentir e realmente entender as mensagens ali contidas, paciência para enfrentar, não duvidem paciência sim, para enfrentar a magnitude existente e relatada em cada conto.
📖“A vida também é para ser lida”.
Por este motivo muitas pessoas desistem de ler Guimarães Rosa o que é uma grande pena, porque conteúdo maravilhoso idêntico jamais encontremos neste vasto mundo literário. Guimarães Rosa é um nome singular na nossa literatura, não tenho hesitação em afirmar que ele é um dos mais criativos e inovadores do nosso país.


Esta obra tem um salto visto que carrega em seu subtítulo “Terceiras estórias”, e até o lançamento desta havia sido publicada apenas a coletânea: Primeiras Estórias, penso eu que sempre haverá este ponto de interrogação, o tempo não foi favorável não permitiu com que ele nos apresentasse as segundas.
📖“O livro pode valer pelo muito que nele não deveu caber”
Guimarães brinca conosco em cada um destes contos, intercala leitura e reflexão. São de uma beleza imensurável, regados a claro muito humor, os temas são perfeitos: o amor (presente em “A vela ao diabo” e “Desenredo”), a vida dos ciganos (o caso dos contos “Faraó e a água do rio”, “O outro ou o outro” e “Zingarêsca”) e, como não poderia faltar o dia a dia das figuras típicas do mundo sertanejo, em “Hiato”, “Sota e barla” e “Vida ensinada”.

Ler devagar é regra obrigatória com esta obra, desbravar as páginas nos deliciando com o jogo que ele faz com as palavras, é algo extremamente prazeroso.
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De acordo com “Anton Tchekhov” o conto perfeito é uma história que se retira o seu começo e o seu final, e aí o conto estaria pronto, podemos dizer que cada um dos 40 aqui encontrados casam com isso.
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Adorei cada um deles mas os meus preferidos foram:
🖋️Desenredo: a “desestória” de uma traição;
🖋️ Esses Lopes: uma história de vingança;
🖋Se eu seria personagem: uma história sobre autoconhecimento.
📖“ Ando a ver. O caracol sai ao arrebol. A cobra se concebe curva. O mar barulha de ira e de noite. temo igualmente angústias e delícias. Nunca entendi o bocejo e o pôr-do-sol. Por absurdo que pareça, a gente nasce, vive, morre. Tudo se finge, primeiro; germina autêntico é depois. Um escrito, será que basta? Meu duvidar é uma petição de mais certeza.”
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E o que dizer mais desta obra perfeita? Somente indicar esta “maravilhosidade” para aqueles que assim como eu ama Guimarães Rosa.

Bejinhos e inté a próxima



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