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MENINO DO ENGENHO - JOSÉ LINS DO REGO

Oi Pockets!

Espero que estejam bem. Esse ano com a parceria da editora Global e TocaLivros, estamos tendo a oportunidade de conhecer novos autores e aproveitar mais o formato audiolivro que ajuda bastante a ler, ainda mais quem tem o tempo corrido. A leitura da vez foi Menino de Engenho do José Lins do Rego, depois de ler Fogo Morto (leia a resenha aqui!), me encantei pela escrita do autor e quero poder ler suas obras, e aproveitando que tem disponível no TocaLivros, ouvi e amei, a narração do Alexandre Mercki é excelente.
 

RESENHA



No enredo vamos acompanhar o jovem Carlos que inicia contando a história da perda de sua mãe Clarice, que foi assassinada pelo marido. Carlos sem ter mais ninguém, é levado para viver com seu avô no engenho de Santa Rosa. Seu tio Juca vai buscá-lo, e uma das primeiras coisas que Carlos observa é o engenho funcionando, moendo um resto da safra da cana - de - açúcar.

Através da narração de Carlos, vamos conhecendo o funcionamento do engenho de Santa Rosa e seus moradores e toda a cultura da época, que infelizmente é bastante racista e patriarcal, onde os brancos podem fazer o que desejam sem ser punidos. 
 
"Minha atenção inteira foi para o mecanismo do engenho. Não reparei em mais nada."

Carlos é uma criança que só tinha escutado as história sobre o engenho através de sua mãe e não conhecia seus parentes e a vida do engenho. Ele é uma criança tímida, asmático e acaba recebendo muito atenção de sua tia Maria, irmã mais nova de sua mãe, que acaba assumido o papel de mãe para ele, mas ao protege-lo, faz com que os primos e outros meninos do engenho fiquem implicando com ele, e faz com que Carlos inveje a liberdade dos meninos. Tia Maria em breve irá se casar e Carlos ficará sobre os cuidados de Sinhazinha.

Tia Sinhazinha era cunhada de José Paulino, já de idade, cuidava da casa e era vista como uma pessoa má, todos tinham medo dela, principalmente os criados ( pois ela inventada qualquer desculpa para maltrata-los). Carlos tinha medo de Sinhazinha, e foi dela que levou a primeira surra da vida, o que deixou sentido. Mas após o casamento da Tia, ele acaba se aproximando de Sinhazinha, que ficou responsável por ele.

Temos José Paulino, avô materno de Carlinhos, ele é o patriarca e quem comanda o engenho, pela visão de Carlos, temos um homem justo, de caráter, respeitado, mas severo. Carlos admira seu avô e adora quando é convidado a participar das visitas aos moradores do engenho, que vivem sobre o domínio do avô. Tem Juca, o filho de José Paulino, que se envolve com as mulatas do engenho e nunca é castigado, faz o que quer, sem sofrer punições, e que muitas vezes acabam caindo sobre os negros (homens), principalmente a violação sexual que ele faz com as negras virgens.
"A senzala do Santa Rosa não desaparecera com a abolição. Ela continuava pregada à casa-grande, com as suas negras parindo, as boas amas de leite e os bons cabras do eito"
Uma personagem que Carlos adora é a velha Totonha, uma senhora que fazia visitas aos engenhos e contava muitas histórias para as crianças, que deixam todos admirados, principalmente Carlos que esperava ansioso a próxima visita da senhora (nessa parte que ela conta história, temos até uma parte cantada, que deixa a narração melhor ainda).

Temos vários outros personagens na história, os primos e primas de Carlos, Maria Clara, uma prima mais velha e primeiro amor dele aos 8 anos. E vamos ter menção de personagens que conhecemos em Fogo Morto (Seu Lula, José Amaro, Capitão Vitorino, entre outros).

Carlos não é religioso, e como acaba sendo criado solto no engenho, as liberdades de criança começam a se tornar libertinagem, com as conversas que escuta e traquinagem com os outros meninos. Sua primeira experiência sexual é com 12 anos com uma negra, ele acaba pegando gonorreia ( infecção sexualmente transmissível, que naquela época usavam técnica naturais para se curar). Para Carlos ele passa a ser um libertino que anda atrás das mulheres no engenho.
 
O avô acha que a solução para acabar com as liberdades de Carlos é enviando para o internato, pois lá ele mudará seu comportamento, e com a ida de Carlos para o internato encerra a história com ele partido do engenho. Menino do Engenho é o primeiro livro do chamado ciclo da cana de açúcar, composto por 6 obras:

1. Menino de Engenho (1932)
2. Doidinho (1933)
3. Banguê (1934)
4. O moleque Ricardo (1935)
5. Usina (1936)
6. Fogo Morto (1943)

É uma história excelente, porém é importante lembrar que vão encontrar várias situações que incomodam, mas para o período era "normal", pois apesar da escravidão já ter sido abolida, o romance de José Lins do Rêgo possui enormes marcas do regime escravagista (relatos bem cruéis e reais que os negros passaram no período, mesmo estando "livres".) Além disso, temos também  no enredo a questão da sexualidade das negras, as secas e as enchentes que o Nordeste sofria e ainda sofre. 

Já leram alguma obra do autor?


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