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"O Martelo das Feiticeiras" - Heinrich Kramer e James Sprenger

 Hello Pockets,

Como vão? Espero que bem !!! Hoje trazemos para vocês uma obra que fala sobre um assunto muito atual, que pode parecer até estranho devido ao título, mas pasmem ele trata sobre o lugar das mulheres na sociedade. 

Surtei quando vi este relançamento porque o queria há muito tempo, o assunto me fascina de todas as formas então apresento a vocês minhas impressões.  

  • Título: O Martelo das Feiticeiras 
  • Autor: Heinrich Kramer e James Sprenger
  • Editora: Rosa dos Tempos; 29ª edição (5 outubro 2020)  
  • Ano: 2.020
  • Nº de Páginas: 700
  • Sinopse: O martelo das feiticeiras, ou Malleus maleficarum, foi o mais célebre manual redigido durante o período de "caça às bruxas" da Idade Média. A inflamada epidemia que perseguiu e condenou mulheres, fosse por seus conhecimentos ou comportamentos que fugissem aos padrões morais e religiosos da época, fosse por pura vingança e misoginia, é uma mancha na história da humanidade. Escrito no século XV, o livro beneficiou-se da invenção da imprensa para sua difusão, tendo diversas reedições pelo continente europeu e, apesar de inúmeras polêmicas e dúvidas quanto à validade de seus ensinamentos, chegou aos séculos XVI e XVII com prestígio entre os perseguidores de hereges. Amplamente utilizado pelos tribunais seculares, o manual pode ser responsabilizado pelas mais de 100 mil execuções, em sua maioria de mulheres, realizadas pela Inquisição durante pelo menos quatro séculos, como apontam historiadores. Como identificar bruxas? Como agem bruxas? Como julgar bruxas? Essas são as questões centrais respondidas neste tratado pelos inquisidores Herinrich Kraemer e James Sprenger, que, entre outras afirmações fantasiosas, atribuem à mulher a prática da bruxaria por meio da cópula com o demônio.

                                                                                                                                                       

Escrito pelos inquisidores Heinrich Kreaemer e James Sprenger, em 1.494, é dividido em três partes, se inicia com a apresentação das três condições necessárias para a bruxaria, na parte dois temos a abordagem dos métodos pelos quais ocorrem os malefícios aos outros indivíduos e como podem ser curados, e na terceira parte e talvez a parte mais densa as medidas judiciais no Tribunal Eclesiástico e no Civil a serem tomadas contra as bruxas e outros hereges.

Nesta última parte, a descrição das 35 questões para a instauração propriamente dita dos processos contra as bruxas e hereges, formas de aplicação das penas e os métodos até as sentenças definitivas. E ficamos boquiabertos de como tantas ilegalidades foram aplicadas a época, mesmo sem ter a formação em Direito é perfeitamente possível ver as corrupções passivas, as mentiras, que foram analisadas durante o julgamento dessas mulheres, o modo como eram obtidas as confissões, delações , torturas entre outros métodos horripilantemente desumanos.

       

“....a extensão da caça às bruxas é espantosa. No fim do século XV e no começo do século XVI, houve milhares e milhares de execuções, usualmente eram queimadas vivas na fogueira, na Alemanha, na Itália e em outros países. A partir de meados do século XVI, o terror se espalhou por toda a Europa, começando pela França e Inglaterra”.

A estimativa de mortes pelos historiadores possui variações, mas a maioria das obras aduz que a quantidade de mulheres executadas chegaram aos milhões.

“...e como as mulheres estão essencialmente ligadas à sexualidade, elas se tornam as agentes por excelência do demônio (as feiticeiras). E as mulheres têm mais conivência com o Demônio ‘’ porque Eva nasceu de uma costela torta de Adão, portanto, nenhuma mulher pode ser reta".

O Martelo das Feiticeiras durante a leitura demonstra como éramos tratadas apenas como objetos de luxuria e prazer, muitas eram condenadas pelo simples fato de dizer não, curioso não? Mera coincidência com os fatos atuais? As mulheres eram mais seres mais propensos as bruxarias e feitiçarias e, portanto, mais suscetíveis a entregar-se às superstições diabólicas.

As mulheres eram consideradas meras reprodutoras, com suas funções estritamente ligadas a maternidade, um dos motivos, segundo enfatizado pelos inquisidores na obra, de serem mais suscetíveis às tentações dos demônios, devendo, portanto, responder por esses atos.

“...as mulheres possuem também memória fraca; e nelas a indisciplina é um vício natural: limitam-se a seguir seus impulsos sem qualquer senso do que é devido; e sua instrução segue a medida da sua indisciplina, pois muito pouco lhes é dado guardar na memória”.




Usavam a justificativa que as bruxas deveriam ser punidas a favor da verdade divina, e assim as ilegalidades corriam soltas, a inquisição pregou a “sua” concepção de verdade fazendo uso das práticas punitivas cujo índice de violência autoritária era extremamente elevado ou inimaginável, a cada página virada levei um susto e um severo soco no estômago.

Nós as mulheres, as bruxas do século XXI, não podemos e nem nunca poderemos ser queimadas vivas, apesar de todas as opressões e repressões, levantamos a bandeira ao mundo atual demonstrando que somos guerreiras e merecemos a reinserção nesta sociedade patriarcal, que temos voz, direito ao prazer, solidariedade e respeito.

A riqueza desta obra, os detalhes nos fazem entender historicamente, as razões pelas quais os atos atrozes e as inúmeras ilegalidades são perpetuados até os dias atuais, a exposição da mulher como ser inferior perante a sociedade e aos homens, ocasionava a sede pelo extermínio sem dó em massa.




Esta leitura deveria ser obrigatória, abrir os olhos sobre temas essenciais, como por exemplo, o nosso papel perante a sociedade e a consolidação de todos os nossos direitos, para que um dia a igualdade de gênero seja algo palpável, concreto.

Pois não nos calarmos, talvez seja a nossa única chance de continuarmos vivas, e deste modo fazermos justiça a todas aquelas que sofreram as dores, as bruxas queimadas vivas na Idade Média.

Agora nos diga, já havia lido algo a respeito?

Espero que tenham gostado.

Beijocas e inté.


 


 

 

 


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