Acho que chegou o momento de fazer essa resenha. Não sei nem por onde começar, tamanha a devastação que esse livro deixou por aqui.
A leitura da vez é Seca, bebe sangue a terra, de Patrick Torres, autor também de O cozer das pedras, o roer dos ossos, em parceria com a Astral Cultural.
Qual sentimento você quer experimentar hoje: pena, indignação, horror, raiva… presenciar o amor?
A narrativa começa com personagens que não são os principais, mas que amarram a história do início ao fim. A partir deles, adentramos a rotina de Darian e Matias, na caatinga, caçando rolinhas.
Quem já viveu no interior certamente vai se reconhecer em situações, hábitos e até no vocabulário.
Darian e Matias são “amigos” inseparáveis. Mas, em uma dessas caçadas, algo acontece e transforma completamente a relação entre eles, marcando ambos de forma profunda com um sentimento difícil de nomear — e impossível de esquecer.
Paralelamente, um padre se apropria do Saleiro, cenário da história. Inventa uma visão, cria uma padroeira e funda uma igreja. A religiosidade vira fanatismo. A fé, instrumento de controle.
Apesar de ser ficção, é impossível não reconhecer ecos de histórias muito reais. O livro é curto, mas intenso. Cheio de analogias com a vida, reflexões sobre culpa, violência, poder e sobrevivência.
Mas o que a religião tem a ver com os meninos? Tudo. A ira, a loucura, a desgraça.
Uma leitura seca, árida — como a terra que retrata — e que permanece na gente depois do fim.



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