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Resenha: O livro do cemitério - Neil Gaiman

 

Olá Pockets!! 

A resenha da vez é de um livro cujo autor eu sou suspeito pra falar, pois sou grande fã de seu trabalho, sim, ele.....Neil Gaiman!!!! A obra em questão é O livro do cemitério da editora Rocco, o livro é voltado para jovens leitores, mas a narrativa é tão rica que envolve também quem já está imerso na prática da leitura (é o Gaiman rapaz, respeita rs)

Começando pela capa, eu também sou suspeito pra falar, pois adoro a cor azul marinho, logo, gostei demais da escolha, até pelo motivo da história se passar em grande parte à noite, a cor dá a sintonia perfeita com o céu do lugar, junto com as letras que parecem congeladas pela força do frio que permeia o ambiente. A arte da capa faz alusão (pelo menos foi o que percebi) ao garoto parecendo que é sua lápide e um aparador de livro. Falando em arte, não posso deixar de falar delas que estão recheando a obra, nos dando um panorama do cemitério e dos personagens que o habitam, a tonalidade cinza com leves toques de distorção dão a imersão no clima do ambiente incomum, e aí que está a grande sacada, pois ao contrário do que é geralmente abordado quando o tema envolve mortos vivos e cemitério, a arte se une a história, e faz nos sentirmos acolhido ao lugar,  da mesma forma que o garoto é acolhido pelos que lá descansam, sem essa ideia de que ele é assombrado, pavoroso ou algo do tipo. Genialidade do ilustrador Dave Mackean em parceria com Neil Gaiman, para quem já é habituado no mundo dos quadrinhos, essa parceria é de longa data, pois ambos já trabalharam juntos em obras clássicas no inicio de suas carreiras em 1987, com a obra “Violent Cases”, seguindo de “Orquídea Negra”, é dele também as capas primorosas de “Sandman”, a obra prima de Gaiman (que já tem uma série em live-action prestes a ser lançada pela Netflix em outubro).


A história já inicia em um clima tenso, somos colocados nos passos do “Homem chamado Jack” adentrando em uma residência e matando a sangue frio uma criança e seus pais, mas o serviço não foi finalizado, pois faltava o bebê, que por coincidência ou não, saiu sozinho pela rua antes do Homem chamado Jack entrar na sua casa, o assassino fareja o cheiro da criança que o faz ir a um cemitério nas proximidades, ele avista a criança, mas é impedido por duas assombrações, as quais mais a frente se tornam os pais adotivos da criança – os pais verdadeiros aparecem e dão o aval pra adoção, pois como não foram enterrados lá, eles não podem intervir na proteção, toques da criatividade de Gaiman -. Esse é o ponto de partida pra entrarmos na narrativa, conheceremos todos os moradores e suas histórias de vida, lugares mágicos e as aventuras durante o desenvolvimento do jovem Ninguém Owens (o nome tem todo sentido, tanto pela situação dos habitantes, como pelo desfecho da história, que lógico, não contarei rsrs), ele se torna o protegido de Silas, um misterioso e sábio vampiro – um dos meus personagens favoritos do livro-. 


Como disse no inicio da resenha, a obra encanta por trazer esse ambiente de uma forma totalmente diferente e que nos traz uma lição de moral muito pertinente: “só temos medo daquilo que não conhecemos”, pois como o garoto ganha o indulto de estar no cemitério e conviver com os seus habitantes -o que lhe dá até "poderes" como desaparecer facilmente da vista das pessoas e enxergar no escuro -, o cemitério se torna a sua casa, e Gaiman consegue transmitir o lado comum e positivo de estar ali, situações e seres que normalmente causariam horror e medo, são percebidos com muita tranquilidade pelo garoto pelo fato dele crescer entre eles, a morte é retratada como uma Donzela imponente e sábia, a qual o garoto se encanta, tumbas, lugares escuros que assustariam qualquer um, para Ninguém, é apenas a esquina da sua casa ( que é uma cripta rs). O que realmente lhe causa medo é o lugar fora do cemitério e os vivos, é essa dicotomia invertida que Gaiman nos entrega de forma maravilhosa em muitas passagens da história, o fato de Ninguém  morar entre os mortos, mas não ser um deles, Silas que por ser um vampiro, está no meio termo, não é nem um morto, mas também não é um ser vivo. Está esperando o quê para ler? Morrer? kkkkk.  Até a próxima!!!




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