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O SEGREDO DE ROSE GOLD - STEPHANIE WROBEL


Oi pocktes!!

Hoje a treta ops, resenha é em família;

”Ah, ela agora tenta compensar, dizendo a todo repórter que quiser ouvir que ela foi incriminada injustamente (...). Mas ninguém quer ouvir a verdade de uma mentirosa.”

Concorrendo firme como a leitura do ano; pega o leque e já começa a se abanar, porque a parada é SINISTRA!

Título: Os segredos de Rose GGold
Autora: Stephanie Wrobel
Editora: Verus
Páginas: 308
Classificação: 
Sinopse: As mães nunca esquecem. As filhas nunca perdoam. Em O segredo de Rose Gold, por dezoito anos, Rose Gold Watts acreditou estar seriamente doente. Era alérgica a tudo e vivia em hospitais. Chegou a pensar que precisasse mesmo da sonda gástrica, das cirurgias, da cadeira de rodas... Os vizinhos faziam o possível para ajudar, mas, não importava por quantos médicos a menina passasse, quantos exames ou cirurgias realizasse, ninguém sabia o que havia de errado com ela.Acontece que a mãe dela, Patty Watts, é uma ótima mentirosa. E, após cinco anos na prisão, ela está finalmente livre. Tudo o que Patty quer é deixar as mágoas para trás, fazer as pazes com a filha - que testemunhou contra ela - e cuidar do neto. Assim, quando Rose Gold concorda que Patty vá morar com ela, parece que o relacionamento entre mãe e filha está, de fato, caminhando para a reconciliação. Mas Rose Gold conhece a mãe. Patty sempre acerta suas contas. Só que, infelizmente para ela, Rose Gold não é mais sua filhinha querida... e estava apenas aguardando que a mãe voltasse para casa. (Skoob)


Hey Pockets! Aqui é a Evelyn e venho aqui após muita tensão introduzir à vocês o grande, o intenso, o aflitivo: O Segredo de Rose Gold. Uma joia primorosa da autora Stephanie Wrobel. Alternando entre os pensamentos da mãe - Patty Peçonhenta Watts - e da filha, Rose Gold - onde a primeira relata o presente sob a própria realidade deturpada e a segunda conta trechos de um passado cheio de obscuridades.

Como já foi dito, o livro nos envia para uma relação patológica entre mãe e filha, estando a matriarca recém saída da cadeia por ter tentado matar a própria filha com cuidados e procedimentos médicos desnecessários, pondo em risco o bem estar de Rose Gold. 

”E então apareceram dois policiais para salvar a filha. E eis que a saúde da menina estava perfeita — a doente era a mãe má. O promotor disse a todos que a mãe envenenou a filha durante anos.”

Cinco anos separadas fez com que ambas mudassem drasticamente seu modo de vida. Enquanto Patty vivia em plena ilusão de inocência, planejando um futuro promissor ao lado da filha que, por sinal, jogou a última pá de cal no enterro da liberdade da mãe. Não obstante, Rose Gold aprende nesses cinco anos de distanciamento o que não aprendeu durante toda sua infância e boa parte da adolescência. De apuração de gosto com relação à filmes de animação à ter um filho - Adam Watts -, foram anos revolucionários para a jovem que desempenhava o papel de boneca doentinha nas mãos a da malvada mamãe.

Narrativa clara no verbo, complexa na profundidade doentia. O desenrolar das cenas provocam sentimentos contraditórios para com seu leitor; um misto de asco e pena, um quê de medo e uma grande dose de mistério, tudo se condensa numa chuva de talento caindo à cântaros. A escritora estadunidense planta em seus leitores pensamentos extremamente profundos, de autoanálise, reflexão ao que nos cerca; dentre muitos pontos sensíveis observa-se três nesta resenha: o sorriso, o bebê e a comida.

O SORRISO:

Para a maioria das pessoas, o sorriso é uma forma de aproximação, disponibilidade para possíveis relacionamentos mais reentrantes, todavia, Rose Gold usa essa expressão quase como uma punição. Contextualizando: a jovem tem sérios problemas ortodônticos, além de cáries dentárias aparentes, emprestando um ar que baila entre fazer-se de vítima - a coitadinha que a mãe quase matou envenenada e ainda estragou os dentes da pobrezinha - e a segunda - e mais obscura - utilização do sorriso é um castigo moral, fazendo o outro sentir-se culpado por ter o que ela supostamente nunca teve.

”Ela sorri — não, arreganha os dentes — para mim e me faz pensar em uma abóbora de Halloween. Para os outros, seus dentes podem ser horrendos. Para mim, contam uma história. Lembram-me das décadas de ácido gástrico corroendo o esmalte. Aqueles dentes são um testemunho de sua coragem.”

O BEBÊ:

Quase sempre o nascimento de uma criança é uma dádiva, um presente do destino; porém tanto para Patty quanto para Rose Gold, um bebê é apenas mais uma peça do xadrez sádico e insano que ambas jogam. A mais velha, obviamente com o psicológico desordenado leva a filha ainda no colo para clínicas e hospitais forçando uma doença na criança carregada pela usura de ter atenção - inegável transtorno de personalidade. Já a mais nova, dá entender que o filho é sua moeda de troca para agradar ou punir a avó do pequeno Adam à seu bel-prazer. Seja uma via ou outra, a relação delas com crianças deixa o leitor com as palmas suando ora de ansiedade, ora de ódio.
”Nossos vizinhos podem resmungar o que quiserem sobre meu jeito controlador, minha maternidade dúbia. Mas eles não entendem o quanto Rose Gold precisa de mim, a sorte dela por ter a mim, aqui, para cuidar da vida por ela.”
A COMIDA

Alimentação é uma questão recorrente e de extremo poder dentro do enredo. Patty Peçonhenta controla o acesso alimentar da pequena Rose Gold, deixando-a com baixo peso, fraquezas, queda de cabelo até culminar numa sonda gástrica sem necessidade alguma.

”(...) na época ainda não me ocorria que eu não tinha nenhuma alergia alimentar, nem problemas digestivos. Precisei de mais seis meses para entender que talvez a sonda gástrica nem fosse necessária.”
Rose Gold segue magérrima, não por estética, mas sim como um atrativo natural de olhares e preocupação das pessoas ao redor. A moça também se delicia com os privilégios, a brandura em torno. Finalmente, Rose Gold proporciona um dos melhores - embora não seja um dos mais surpreendentes - plot twist - reviravolta- que li nos últimos tempos.

”Quando a maioria das pessoas examinava a própria infância, eu supunha que elas pensassem em biscoitos com chips de chocolate assados no forno na casa da vovó ou a mistura salgada e doce de filtro solar de côco e pele queimada de sol depois de um longo dia de verão. Quando eu pensava em minha infância, sentia cheiro de desinfetante.”
O tema já foi representado algumas vezes no mundo dos livros e séries - a título de informação: tem uma série chamada “The Act” disponível no streaming “StarzPlay” que retrata o assunto de forma nua e crua, tal e qual O Segredo de Rose Gold. Repleto de reentrâncias, boas doses de loucura e uma forte interpretação do insano, este livro é para os fortes. Confesso que foram necessárias algumas pausas - intercalando com muitas séries bobas na Netflix para segurar a onda - a fim de respirar um ar menos viciado e sufocante que envolve a aura desta obra. Se o Dumbledore dá 10 pontos para o Harry Potter “porque sim” - referência pottehead - o Grupo Editorial Record merece 100 pontos por trazer esse título.

No mais, é isso.
Fiquem bem e seguros.
Juízo!
Beijos trevosos.





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