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DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Oi Pockets!
Tudo bem com vocês?


Vamos falar um pouco sobre consciência. Segundo o dicionário Michaelis consciência é:

"O próprio ser humano, entendido como ser pensante ou entidade espiritual; alma, espírito, mente."

"Compreensão ou lucidez quanto a determinado tema ou assunto, em especial aqueles afeitos a questões sociais e políticas."

Agora vamos conversar!
Vai ter carne preta, sim!
Estudos recentes dizem que pela primeira vez, nós negros, somos a maioria (por volta de 46%) nas universidades públicas.  Uma grande vitória, fato. Mas... será que esses quarenta e seis porcento concluirão seus estudos? Os que concluem, se formam de uma forma digna e sem máculas pelo tom de sua pele? E depois, esses negros guerreiros terão vez no mercado de trabalho? Dados quantitativos são muito bons, enche os olhos da massa. Porém tantas questões surgem por trás desses dados!

Ainda falando em dados, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) aponta que as mulheres negras ganham 44.4% a menos que os homens brancos. Não! Você não leu errado. Mulheres pretas ganham menos da METADE! Você pode pensar que o fator determinante nesta conta discrepante é o gênero. Ledo engano, as mulheres brancas vêm logo abaixo dos homens brancos na classificação de remuneração, depois os homens negros, finalizando esta vergonha de rendimento desigual, as negras. O IBGE ainda afirma que a desigualdade também está na distribuição de cargos gerenciais, apenas 29.9% são ocupados por profissionais (tão preparados quanto os brancos) pretos e pardos. Em outras palavras: quanto maior o salário, menos mãos negras tomam posse dele. Sem comentar a fundo sobre o enervante fato: quanto mais a mulher preta se instrui, menos ela ganha em relação o homem branco com o mesmo grau de escolaridade. E ainda é apontada como “pesada demais” a máxima “a carne mais barata do mercado é a carne preta”.


Embora seja a mais barata, a carne preta é a mais desejada. E menos assumida. Explico: o corpo negro é muito desejado sexualmente. E não é porque somos/nos consideramos mais gostosos, não. É uma questão de racismo cultural. Os escravos não eram utilizados apenas como mão de obra, exploração de serviço e escape para extravasar raiva. Havia a cultura da escravização sexual, onde os desejos dos mais naturais aos mais “imorais” eram feitos com os escravos, logo, os escravizados de melhor aparência, dos corpos mais atraentes eram mais caros e disputados.

“(...) - Qual é o preço dela? Você quer comprá-la? (...) não há preço! Ela não está à venda! (...) Mas os ouvidos de Freeman foram surdos a esta proposta humanitária. Ele não a venderia naquela ocasião, por quantia alguma. Ela renderia montanhas de dinheiro - disse ele - quando fosse apenas alguns anos mais velha. Certamente haveria muitos homens em Nova Orleans dispostos a lhe pagar até cinco mil dólares por uma ‘peça’ de beleza tão rara e extraordinária como Emily logo viria a ser (...). Ela era uma beleza! Uma pintura; uma boneca; uma das que tinham ‘sangue bom’. (...)”
12 Anos de Escravidão (p. 61)

Você entendeu, não é? A pobre escravinha, que contava apenas cinco anos, não seria usada para colher algodão ou plantar milho. Contudo, pouco provável ela ser tomada como esposa por seu dono. Porque era essa a sina das escravas bonitas. Seu destino era ficar trancafiada na senzala, sendo abusada mental e sexualmente por seus senhores quando, por quem, como e quantas vezes eles quisessem. Nunca na sociedade, sempre às escondidas. O que, salvo as condições atuais, ainda acontece. O olhar de cobiça, os desejos da carne, os prazeres mais primitivos, são saciados pelas pretinhas, o casamento, a sociedade, para as branquinhas. E isso não é vitimismo. Mulheres negras casadas ou com relacionamento sério assumido é muito inferior à mulheres brancas na mesma situação. Apontar está situação nos trouxe várias reticências, uma vez que pode se dar ares de competição entre as mulheres de etnias diferentes, um falso ar de falta de sororidade. Não! Não é sobre disputa. É sobre desigualdade. E as menos culpadas desse horror são as mulheres.


Por falar em sororidade, nunca antes na história deste país (não podemos perder a piada), esta palavra foi tão bem trabalhada e praticada. Estamos nos unindo, apoiando cada vez mais. Tchau, disputas infantis; olá, concorrência saudável. Dar valor ao outro não diminui as suas qualidades. Muito pelo contrário! Este reconhecimento mútuo, valorização do ofício, notoriedade ao trabalho do outro só nós dá forças para alimentar a excelência do serviço e principalmente, o triunfo de todos os envolvidos.

Quando se fala em enaltecimento da mulher negra, da beleza dos lábios cheios, da poesia dos quadris largos, do empoderamento dos cabelos crespos, deve-se lembrar historicamente delas, as que vieram primeiro, que não puderam se embelezar; das que vieram depois e não tinham uma paleta de cores de base correta para seu tom de pele e dessas outras, mais próximas de nós, com bolhas no couro cabeludo por conta da chapinha assassina. Para que pudéssemos ser livres para alisar ou não os cabelos, para passar ou não os cabelos, para usar brinquinho ou brincão, turbantes, faixas, roupas estampadas, étnicas ou monocromáticas. Hoje somos livres para mostrar nossos corpos negros em vários tons. Cabelinho pra jogo, alisado, armado, enrolado ou cabelo algum. Sambando, requebrando, mandando ver no rap, batendo cabelo no calypso ou no metal ou só no cantinho olhando a festa. Na hora da fé, no candomblé, na igreja evangélica, católica, carismática, no templo budista, fora de tudo, dentro de várias. Livres para poder sorrir, para chorar, falar, cantar, escrever; livre para ser. Livre para amar um homem ou vários, amar mulher, plantas, mas sem esquecer de amar a si mesma em primeiro lugar. Livres para ter consciência de imagem, de qualidades e limitações, consciência de onde ir, de criar; consciência negra. Porque a carne preta não é a mais barata, pois não está mais a venda.

Hoje, 20 de novembro, comemora-se o Dia da Consciência Negra, um grande dia para os descendentes dos humanos escravizados, - pois ninguém nasce escravo - assim como a maioria das datas semelhantes, provém de um desastre. Marca a morte de Zumbi dos Palmares, um pernambucano, que nasceu livre, mas aos 6 anos foi escravizado. O mesmo Zumbi, retornou anos depois para sua terra natal e virou líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695.
Na segunda metade da década de 1970 um grupo no Rio Grande do Sul (RS) criou um grupo chamado Grupo Palmares, idealizado pelo poeta gaúcho Oliveira Silveira. Tal sociedade de pensadores e poetas sobreviveu até mesmo o AI5 (Ato Inconstitucional número 5) e sua desconfiança absoluta, tendo que provar que o grupo de teatro unificado ao grupo nada tinha a ver com um grupo “subversivo”. A resistência vem de todos os lados.

E você tem consciência?
Beijos.


20 comentários:

  1. Parabéns Kim e Evelyn.
    O post de vocês ficaram ótimos. O texto é uma baita realidade, em que todos deveriam ler, entender, compartilhar a igualdade e principalmente dizer não ao racismo, a inferiorização do outro, principalmente dos negros, que já vem a anos sofrendo pela sua cor, infelizmente. Que sejamos mais humanos.
    abraços

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  2. Meninas eu estou super orgulhosa destas minhas amigas, um texto para refletir Estão de parabéns!!!!

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  3. Incrível esse texto! Da vontade de esfregar na cara de certas pessoas, compartilhando no meu feed agora

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  4. Vou compartilhar com umas pessoas que trnho no whats kim...Belo post

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  5. Disseram tudo. Parabéns pelo texto. Por uma humanidade mais consciente de sua natureza e livre de tantas amarras que oprime.

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  6. Ótima postagem. Fizeram uma análise bem cirúrgica sobre o racismo no país.

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  7. Completíssima a matéria de vocês. Ainda temos muito que lutar para que as desigualdades sociais sejam sanadas! Precisamos mais do que urgente educar o povo. Sem educação, continuaremos na ignorância, infelizmente!

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    1. Obrigada Vanessa.
      Sim. Educação é o necessário para melhorar a humanidade.

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  8. Olá,

    Não tenho nem palavras para descrever o que senti lendo esse post. Terminei a leitura em lágrimas e sentindo uma certa angústia por algumas coisas que colocou. Seu texto está bem completo e deveria ser lido por todos, pois é mais do que necessário. Precisamos nos unir para combater o racismo, pois só assim as coisas podem evoluir. Parabéns pelo post!

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  9. Que texto incrível, é tão importante darmos valor a essas vitórias e também fazer reflexões sobre as injustiças que continuam acontecendo!

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  10. Excelente post!
    Ainda tem muito que ser mudado no Brasil, o tal do "preconceito" e tudo mais...
    Quanto ao post gostei bastante de saber mais sobre esse assunto.
    https://blogdajenny2014.blogspot.com/

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    1. Obrigada Jennifer.
      As mudanças não precisam ser só aqui no Brasil, mas se conseguirmos começar por aqui já é um grande passo.

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