SOCIAL MEDIA

Dica de Livro - Corpos na areia

domingo, 3 de maio de 2026

 


Oi, pockets! 


Não é todo dia que a gente encontra um livro capaz de criar personagens que nos tiram tanto da zona de conforto. E é exatamente isso que "Corpos na Areia", de Emma Rosenblum, faz. Lançamento da Astral Cultural de abril de 2026, o romance já chega causando.


Em Salcombe, uma elite privilegiada passa todos os verões. À primeira vista, suas vidas são perfeitas. Mas quando um corpo aparece na praia durante a temporada, segredos obscuros, inveja e infidelidades ameaçam vir à tona.


Manter segredos numa comunidade pequena, onde todo mundo se conhece desde sempre, nunca é fácil. Ainda assim, os veranistas de Salcombe sustentam suas fachadas ano após ano. Neste verão, porém, são segredos demais para fingir que está tudo bem. Depois que o corpo é encontrado, manter as aparências fica insustentável.


A temporada começa com os preparativos das casas de veraneio. O ponto alto da cidade gira em torno do Iate Clube, seus eventos e, principalmente, do torneio de tênis. Para este ano, contrataram um novo professor: Roberth. Ele sempre sonhou em fazer parte desse círculo de poder, mas lhe falta o requisito principal: dinheiro. Acostumado a conviver com a elite, sabe exatamente quando se destacar e quando é melhor se afastar das fofocas.


Vários casais formam o núcleo da trama: Jason e Laurel, Sam e sua esposa, além de Rachel, a amiga de infância solteira que se enturma com todos. A autora intercala capítulos entre os personagens e nos deixa ouvir seus pensamentos sem filtro. Sabe aquelas coisas que a gente pensa, mas não fala? É isso, e é deliciosamente divertido. Eles são sarcásticos, frívolos e muitas vezes sem noção. Os comentários ácidos e a forma como se veem uns aos outros escancaram o quanto as aparências no convívio social raramente refletem o que realmente pensamos.


Cada um guarda muitos segredos. Apesar de se conhecerem há anos, na prática ninguém ali é o que representa ser. Emma Rosenblum me fez refletir sobre privilégios, falas problemáticas e essa vida perfeita de fachada que virou um dos grandes males de hoje: o abismo entre quem mostramos ser e quem realmente somos.


O desfecho foi coerente com a proposta. Diante do status e da lógica dos personagens, a resolução soa crível e fecha bem o arco da história.


Nota: 4/5

Nenhum comentário

Postar um comentário