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Middlesex de Jeffery Eugenides

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Hello Pockets, e vamos para o terceiro tema do desafio do @amigosdaleituraoficial? Para cumprir: Um livro que você sempre quis ler, mas vive adiando, escolhi: “Middlesex”, de @eugenides.jeffery, da @companhiadasletras.

Eugenides me chacoalhou há alguns anos com Virgens Suicid@s e, quando ganhei este livro de presente, demorei alguns bons anos para ler (hahaha, apenas 11). Ganhei em 2014 e fui adiando porque meu primeiro contato com o autor me deixou completamente sem rumo.

Esta é uma espécie de autobiografia de uma família greco-americana comum que vive em Detroit, dividida em algumas partes — não darei números, porque isso pode variar conforme a interpretação de cada leitor. Iniciamos com a chegada de uma família grega fugindo da Grécia após um incêndio devastador que destrói sua cidade, tentando reconstruir a vida e realizar o tão idealizado sonho americano.

Conflitos familiares, imigração, tensões raciais durante e após o movimento pelos direitos civis, gênero, identidade e renascimento são temas centrais da obra. Um dos romances mais profundos, surpreendentes e envolventes que já li.

Conhecemos, então, nosso(a) protagonista Cal/Calliope, que nasceu com genit@is subdesenvolvidos e foi confundido(a) com uma menina até que a puberdade começa a revelar sinais de um desenvolvimento corporal diferente, por volta dos quatorze anos.

A partir desse ponto, o livro se transforma em uma leitura intensa, que provoca desconforto, reflexão e curiosidade constante sobre quem é Cal e como ele viveu tantos anos lidando com dúvidas, silêncios e expectativas impostas.

“Nasceu duas vezes, como uma menina em um dia excepcionalmente limpo de poluição em Detroit, em janeiro de 1960; e depois novamente, como um adolescente em uma sala de emergência perto de Petoskey, Michigan, em agosto de 1974.”

Cal é, sem dúvida, o personagem mais marcante do romance. Sua história nos leva a refletir sobre identidade, corpo e pertencimento. A questão de gênero se intensifica na adolescência, quando o lado masculino passa a assumir espaço, tornando essa fase — já confusa para qualquer pessoa — ainda mais complexa.

Alguns relatos são crus e impactantes, e confesso que fiquei boquiaberta em vários momentos. Entre eles, a revelação de que os avós de Cal eram irmãos, casados no navio rumo à América. Os tabus saltam das páginas, e senti que, em certos momentos, Eugenides poderia ter ido menos longe para explicar a herança genética do narrador.

O autor também foi criticado por ser um homem cisgênero ao retratar Cal aceitando seu corpo em vez de alterá-lo artificialmente. O médico, Dr. Luce, é apresentado como uma figura cruel e antiética, defendendo cirurgias e hormônios sem consentimento. Diante disso, Cal foge.

Adulto, ele reflete sobre a violência dessas intervenções e defende que cirurgias “corretivas” em crianças são abusivas. Ele prefere ser aceito como é: um homem com órgãos pouco desenvolvidos.

Eugenides constrói uma narrativa poética, intensa e sensível, que prende do início ao fim. Middlesex é uma obra sobre identidade, herança e aceitação — e não à toa venceu o Pulitzer e o National Book Award.

Beijocas e inté a próxima. 💙


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