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As Batalhas no Deserto de Josè Emílio Pacheco

segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Há muitas editoras que adoro, mas a @pinardi é uma das minhas prediletas, gostaria de poder ter a coleção completa, mas infelizmente isso ainda é impossível, mas chego lá. A nova Coleção Prosa Latino-Americana presenteia com a obra de Josè Emílio Pacheco com o livro: “As Batalhas no Deserto”.

Ler esta obra foi impactante, ele navega pelas lembranças que não são minhas, mas que, de alguma forma, eu reconheci.

A história que parece simples, quase pequena, mas que entrega muito, ele não é um dramalhão exagerado e nem causa impactos que explodem, é sutil…chega quase sem perceber, e de repente, alguma coisa dentro da gente muda — e não tem volta.

É a historia de Carlos, um menino ainda, que se apaixona pela mãe do melhor amigo, ele se vê crescendo em meio a mudanças, descobrindo o mundo, sentindo pela primeira vez algo que ainda nem sabe nomear direito.

Mas por dentro…nada é simples. O que mais me atravessou foi essa mistura de inocência com ruptura, o contato com algo que não dá para impedir e dói. Porque a infância aqui não termina de forma clara — ela é
interrompida, quase arrancada.

O sentimento de Carlos é puro, mas o mundo ao redor já não é. E é nesse choque que tudo acontece, há uma nostalgia que não é confortável. Não há saudade bonita…porque o tempo leva tudo — até aquilo que a gente nem teve tempo de entender.

A narrativa é rápida, quase como um sopro, e quando termina… fica um silêncio.

💭 Frases que permanecem comigo:

— “Crescer é perceber que o mundo não sente como você.”
— “Alguns sentimentos nascem grandes demais para a idade que temos.”
— “O passado não volta — ele só insiste em permanecer.”
— “Há amores que não cabem no tempo em que acontecem.”

O mais marcante pra mim foi perceber que essa história não fala só sobre um amor impossível… fala sobre o momento em que a gente perde a ingenuidade e nunca mais consegue recuperar.

✨ Um livro curto, mas que carrega uma vida inteira dentro dele.

Terminei com aquela sensação rara: de que algo muito delicado foi quebrado… e ainda assim, valeu a pena ter existido.



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De volta pra mim da Elena Armas

domingo, 5 de julho de 2026
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Oi, Pockets!

A dica de hoje é De volta pra mim da Elena Armas publicado pela @editoraarqueiro

A história acompanha Frankie, uma escritora de romances que está enfrentando um momento difícil na carreira e ainda precisa lidar com um stalker que começa a invadir sua vida. Durante uma convenção literária, ela reencontra Turner, melhor amigo do seu irmão e também seu amigo de infância. Os dois carregam sentimentos que nunca foram totalmente resolvidos e acabam sendo obrigados a conviver novamente, revisitando o passado enquanto tentam entender o que ainda existe entre eles.

Eu gosto bastante da escrita da Elena. Os livros dela sempre conseguem misturar romance, momentos divertidos, personagens carismáticos e cenas hots de uma forma natural.

Mesmo sendo uma história curta, achei que ela foi muito bem desenvolvida. Gostei bastante da forma como Frankie e Turner se reencontram e, principalmente, de como finalmente começam a conversar sobre tudo o que sentem. Esse sentimento existe desde a adolescência e acompanhar os dois tentando entender o que fazer com isso tantos anos depois.

Claro que eu fiquei um pouco chateada em vários momentos. 😂 Tudo poderia ter sido resolvido muito antes com uma conversa. O amor sempre esteve ali, bastante evidente para quem estava lendo.

Outra coisa que me incomodou foi aquele velho discurso de "não mexe com a minha irmã". Sinceramente, acho que os irmãos deveriam ficar felizes em ver a irmã se relacionando com alguém de confiança, ainda mais com uma pessoa como o Turner, que demonstra o tempo todo ser alguém respeitoso, cuidadoso e que realmente gosta dela.

Apesar da história envolver um stalker, achei que esse mistério foi bem conduzido. A autora consegue criar uma tensão ao longo da narrativa e gostei da forma como tudo foi explicado no final.

Não foi uma das minhas histórias favoritas da Elena Armas, mas ainda assim foi uma leitura gostosa. É aquele romance que se lê rapidinho, perfeito para distrair a mente, sair de uma ressaca literária e passar algumas horas acompanhando um casal que a gente torce para finalmente criar coragem de falar o que sente.

Leitura disponível na @audible_



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Quando os pássaros voam para o sul de Lisa Ridzén

sexta-feira, 3 de julho de 2026
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Hello Pockets! Há histórias que não são sobre o final da jornada, e sim sobre o que ainda insiste em permanecer… mesmo quando tudo começa a ir embora...

Quando os pássaros voam para o sul” de @lisaridzen da @editorarecord, me levou diretamente para dentro da cabeça de Bo, não foi algo confortável...Foi humano.

Bo, um vizinho de 80 anos, enfrenta o fim, agarrado ao que ainda reconhece: seu cão Sixten, suas rotinas, suas memórias… e, principalmente, à presença constante (mesmo que distante) de Frederika.

Mas a memória falha, o tempo se mistura, e o que é agora já não se separa do que foi. Ele não e apenas um homem envelhecendo,vé alguém tentando não desaparecer dentro de si mesmo. Hans seu filho, prático, preocupado… mas também distante daquilo que o pai sente. Representa o cuidado, mas também o conflito. Frederika, mesmo ausente, é presença o tempo todo, é com ela que Bo conversa, como se ainda pudesse segurar algo que já está escapando.

E o mais doloroso é isso:
ninguém está exatamente errado. Mas ainda assim… dói e muito.

Por vários momentos precisei respirar, a narrativa alterna entre o que Bo sente
e o que os outros registram sobre ele. E aí vem o impacto:
existem várias versões de uma mesma vida, mas só uma delas é a que vem de dentro.

Percebi cairmos medos, inclusive que também são meus: o silencioso de deixar de ser quem a gente foi, o peso de cuidar… e de precisar ser cuidado, e a saudade de algo que ainda nem acabou, mas já está indo.,.

Um susaurrobsobre a velhice e o que ela representa, e talvez seja isso que machuque mais e tanto...

Porque, no fundo, ele não fala só sobre Bo, fala sobre todos nós… e sobre aquilo que um dia também vamos esquecer.

E isso… fica. Queridos só no posto dizer leiam, com maestria passamos a refletir aquela que não cercam que assim como BO e que talvez ainda tenhamos tempo de ser mais carinhosos e atenciosos respeitando a história deles.





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Nada Nasce ao Luar de Torborg Nedreaas

quinta-feira, 2 de julho de 2026
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Olá Pockets!

Há obras que simples fato de serem lançados eternizam em nossas peles e nos atravessa, assim é “Nada Nasce ao Luar”, de Torborg Nedreaas da @companhiadasletras.

Neste romance perfeito para aqueles que como eu que amam ler Ernaux, Alba de Céspedes e Tove Ditlevsen, acompanhamos um retrato visceral da busca das mulheres por autonomia. Não só sobre suas escolhas, mas sobre algo ainda mais íntimo: o direito ao próprio corpo, à própria história, à própria voz.

A narrativa é intensa, silenciosa e carregada de uma tensão emocional que cresce aos poucos, como algo que sempre esteve ali… esperando para vir à tona. Nedreaas escreve com uma delicadeza quase cruel — porque é justamente na sutileza que a dor se revela mais profunda.

Aqui, não há excessos, há contenção, silêncio e verdades nuas, cruas, difíceis e dolorosas.

É um livro que fala sobre o que é ser mulher em um mundo que constantemente tenta limitar, moldar e silenciar. E faz isso com uma sensibilidade que também transforma o íntimo em algo universal. Este livro é inquietante, necessário, impossível de ignorar e arrebatador. Ele não busca respostas fáceis, ele provoca, incomoda e permanece, e talvez seja exatamente isso que o torna tão poderoso.

E vocês também gostam de livros com essa carga emocional mais profunda, nos contem !!!



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A Outra Face da Morte do Pedro Luiz Sarro

quarta-feira, 1 de julho de 2026
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Oi, Pockets! 💙📚

A dica de hoje é A Outra Face da Morte, do Pedro Luiz Sarro, leitura realizada na leitura coletiva organizada pela @lcagcomunicacao.

Falar sobre a morte nunca é fácil. É um tema sensível, que cada pessoa vivencia de uma forma diferente. Justamente por isso achei muito interessante a maneira como o autor conduz essa história. Em vez de tratar a morte apenas como um momento de dor, ele nos convida a refletir sobre a vida, o luto, a espiritualidade e nossas escolhas.

A narrativa acompanha Neto, um jovem que, após enfrentar perdas importantes, inicia uma jornada de autoconhecimento. Nesse caminho, Peter, seu avô, se torna a figura mais marcante da história. Vindo da Noruega e carregando uma enorme bagagem de experiências, ele compartilha sua visão sobre a vida e a morte com muita serenidade. Foi, sem dúvidas, meu personagem favorito.

O amor entre Peter e Maria da Luz é retratado de uma forma muito bonita, mas também me chamou a atenção o carinho que ele demonstra pela filha Helena e pela esposa Vitória. São relações construídas com muito respeito, cuidado e afeto, que tornam os personagens ainda mais humanos e fazem a gente se apegar à família ao longo da história.

Outro ponto que despertou minha curiosidade foi a abordagem da doutrina espírita. Mesmo sendo católica, gosto muito de conhecer outras formas de compreender a morte e o que pode existir além dela. É um tema que sempre me faz refletir e amplia minha forma de enxergar a vida.

Confesso que, em alguns momentos, fiquei com um pé atrás em relação ao Neto. Tive a impressão de que ele demorou para valorizar tudo o que tinha ao seu redor e foi somente após as perdas que sofreu que começou a enxergar o mundo de outra maneira. Ainda assim, gostei de acompanhar sua evolução.

As viagens por diferentes países também enriquecem a narrativa, mostrando como novas culturas e experiências podem transformar uma pessoa.

A história nos convida a olhar para a morte com menos medo. Afinal, o luto faz parte da vida de todos nós, mas cada pessoa aprende a vivê-lo de uma forma única.

💙 O livro está disponível para compra na Amazon.




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Parir monstros; devorar filhos de Raul Damasceno

segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Oi, Pockets!

A dica de hoje é Parir monstros; devorar filhos, do Raul Damasceno, publicado pela Astral Cultural. Esse foi o meu primeiro contato com a escrita do Raul e já posso dizer que quero ler tudo o que ele escrever.

É uma história pesada, dolorosa e humana. Não é uma leitura fácil, mas também é daquelas impossíveis de largar. A escrita tem uma beleza quase poética que contrasta com a dureza dos acontecimentos, fazendo a narrativa ganhar ainda mais força.

Ao longo da leitura vivi um verdadeiro turbilhão de emoções. Em alguns momentos fiquei angustiada, em outros revoltada e, em vários, precisei fechar o livro por alguns minutos para respirar.

Essa leitura também me tocou de uma forma muito pessoal. Em 2024, eu perdi um bebê, e foi impossível não me emocionar ao acompanhar as diferentes formas como Raul aborda a maternidade. Não existe apenas um jeito de ser mãe. O livro apresenta mulheres que desejam um filho, mulheres que rejeitam essa experiência e mulheres atravessadas pela culpa, pelo medo, pelo amor e pelas expectativas impostas pela sociedade. Ler tudo isso despertou sentimentos que eu nem imaginava revisitar.

E é justamente aí que está uma das maiores forças da obra: ela não julga suas personagens. Apenas nos coloca diante delas e nos deixa sentir.

A relação entre Juriti e Sáusa foi uma das partes que mais me marcou. É uma amizade complexa, construída entre amor, inveja, culpa, acolhimento e dor. Em vários momentos eu não sabia exatamente o que sentir por elas, e acho que esse era justamente o objetivo do autor.

Os filhos também carregam marcas profundas. O livro mostra como a forma como somos criados, os silêncios, os traumas e os afetos atravessam gerações. Ninguém sai ileso dessa história. E os homens... sinceramente? Até agora eu não sei definir meus sentimentos em relação a eles. Em alguns momentos senti compaixão. Em outros, raiva. Depois compreensão. Logo em seguida, indignação novamente. São personagens humanos, cheios de contradições, e isso torna tudo ainda mais desconfortável.

A forma como Raul constrói a narrativa é incrível. As referências às músicas, especialmente às canções de Fagner, não estão ali apenas como trilha sonora, elas ajudam a contar a história deixando a escrita quase musical e poética.

Foi impossível não querer marcar o livro inteiro. Alguns trechos ficaram comigo:

✨ "O amor, quando se entranha na gente, é em tudo parecido com o anzol: te fisga e te segura de tal maneira que só sai se for rasgando tudo."

✨ "Amar é coisa de sangue."

✨ "Amizade é se deixar guiar pela cegueira do outro."

A ambientação da pequena vila de pescadores também merece destaque. O mar deixa de ser apenas cenário e passa a respirar junto com os personagens. Tudo parece ter vida: o vento, a água, o silêncio e até as canções.

A história mexeu comigo o tempo inteiro. É uma leitura que inquieta, faz questionar, sentir, sofrer e refletir. Não é um livro para passar o tempo; é daqueles que continuam morando na gente muito depois da última página. Foi a leitura que mais me impactou este ano e, sem dúvida, entrou para a lista das minhas favoritas. 



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Riacho Doce de José Lins do Rego

quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Carol Grayshadow por aqui e hoje trago a indicação do livro de José Lins do Rego da @globaleditora

Riacho Doce foi uma leitura que me surpreendeu muito positivamente, principalmente por mostrar um lado diferente da escrita de José Lins do Rego, pois já a conhecia um pouco com a leitura de Fogo Morto que é mais ligado ao ciclo da cana-de-açúcar, à vida nos engenhos e às relações sociais do Nordeste, aqui o autor entrega um romance que tem uma atmosfera mais intensa, mais passional e até um tanto mais sensual e mística sem perder a força literária que marca sua obra.

A história tem um clima muito envolvente no qual um vilarejo litorâneo, o calor, o mar, os costumes locais e toda a atmosfera nordestina criam uma ambientação viva e marcante. É o tipo de livro em que a gente quase consegue sentir o vento, o sal do mar e a tensão crescendo entre os personagens, mostrando dessa forma a força imagética do autor ao criar e tranformando a leitura ainda mais imersiva.

No livro, o foco não está tanto na decadência dos engenhos, mas sim na carga emocional muito forte presente na relação entre os personagens, e isso faz com que a leitura tenha um tom mais intenso e, em alguns momentos, até melancólico. É um romance que trabalha muito bem as tensões entre paixão e culpa, liberdade e convenção, atração e ruína.

A construção dos personagens, especialmente da protagonista, traz para a narrativa esse olhar de deslocamento, mostrando assim um estranhamento diante daquele universo e tornando a história ainda mais interessante porque o romance não fala apenas sobre um envolvimento amoroso, mas também sobre choque de realidades, diferenças culturais e sobre o quanto um lugar pode transformar — ou consumir — alguém.

José Lins do Rego, sabe construir emoções sem deixar de lado a crítica social, ressaltando que não é apenas uma história de amor ou desejo, mas um romance cheio de camadas, com uma atmosfera muito forte e um retrato humano bastante complexo.

Um observação que faço também é que a obra ganhou uma minissérie baseada no livro em 1990 com 40 capítulos reforçando o quanto essa história tem força dramática e visual. No geral foi uma leitura rica, intensa e muito interessante, especialmente para quem quer conhecer uma faceta menos comentada do autor, sem abrir mão da força da literatura regional brasileira.

E você leitor (a)? Já leu ou ficou interessado (a) nesse livro? Comenta 👇🏼 e vamos conversar sobre.



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A Sociedade dos Objetos Mágicos do Gareth Brown

terça-feira, 23 de junho de 2026
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Oi, Pockets! 💛📚

A dica de hoje é A Sociedade dos Objetos Mágicos do autor Gareth Brown publicado pela Astral Cultural.

Esse foi o meu primeiro contato com a escrita do autor e posso dizer que foi uma experiência positiva. Eu adoro fantasia, é um dos meus gêneros favoritos, e uma das coisas que mais me conquista é quando o autor consegue construir um universo que faz sentido. Aqui foi exatamente isso que aconteceu. Aos poucos ele apresenta as regras desse mundo, desenvolve a história e faz a gente se sentir parte daquele universo.

Mais do que uma fantasia cheia de magia, essa história nos faz refletir sobre o uso do poder. Existe uma forma certa ou errada de usar a magia? Até onde alguém pode ir quando acredita estar fazendo o bem? Essas são perguntas que acompanharam minha leitura.

A Magda foi, sem dúvidas, minha personagem favorita. Ela é determinada, corajosa e daquelas que não esperam que as coisas aconteçam. Gostei muito de acompanhar seu crescimento ao longo da história.

Mas o que mais gostei foi perceber que nenhum personagem está ali apenas para cumprir um papel. Todos são humanos, críveis e carregam qualidades, defeitos, medos e motivações próprias. Cada um contribui para que a narrativa funcione e isso torna a leitura muito mais real, mesmo sendo um universo mágico, eles são reais.

A escrita é leve, fluida e faz com que a leitura aconteça naturalmente. Quando percebi, já estava envolvida pela história e querendo descobrir como tudo iria se resolver. E confesso que terminei o livro já com vontade de ler a obra do autor. Saber que existe uma ligação entre os livros me deixou ainda mais curiosa para continuar explorando esse universo que ele criou.



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Ninguém Ouve o Sangue de Elizandro Todeschini

segunda-feira, 22 de junho de 2026
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Oi, Pockets!

A leitura da vez foi Ninguém Ouve o Sangue, do Elizandro Todeschini, um livro curto, mas que me deixou pensando por muito tempo depois da última página.

A história se passa durante o período da Ditadura Militar e acompanha personagens que vivem em uma pequena comunidade do interior do Rio Grande do Sul. Entre eles, temos Vitório, um menino sensível que questiona muitas das violências que vê ao seu redor, e o professor Melchor, cuja chegada ao vilarejo acaba provocando mudanças no vilarejo.

Uma das coisas que mais gostei na leitura foi a forma como o autor mistura ficção e acontecimentos históricos. Em diversos momentos percebemos referências a fatos reais, o que torna a narrativa ainda mais impactante. Não estamos diante apenas de uma história inventada, mas de situações que dialogam com um período muito doloroso da nossa história e que, infelizmente, ajudam a entender porque certas feridas continuam abertas até hoje.

“A indiferença sangra por mãos limpas, e mata sem jamais sujá-las.”

A história fala sobre política, mas principalmente sobre pessoas. Sobre silêncio, medo, omissão, coragem e as consequências de escolher enxergar ou fingir que não vê.

Vitório foi um personagem que me conquistou desde o início. Sua sensibilidade diante do sofrimento dos animais e das injustiças ao seu redor contrasta bastante com a realidade em que vive.

O que mais me marcou, porém, foi o desfecho do professor. Eu já estava envolvida com a história, mas aquele final me deixou arrasada. É daqueles momentos que doem justamente porque parecem possíveis, porque lembram situações que realmente aconteceram e porque nos fazem refletir sobre quantas histórias semelhantes foram silenciadas ao longo dos anos.

Além da crítica social e política, o livro traz reflexões importantes sobre empatia, memória e sobre o perigo da indiferença diante das injustiças. Foi uma leitura rápida, intensa e necessária.

Vocês já conheciam Ninguém Ouve o Sangue?



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Biotecnosfera: uma experiência de sociedade de Lucas Araujo

sexta-feira, 19 de junho de 2026
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Olá, Pockets!!!
Hoje a indicação de livro é diferente de qualquer coisa que eu tenha lido até agora, estou falando de Biotecnosfera: uma experiência de sociedade. É de autoria de Lucas Araujo e lemos em parceria com a @lcagcomunicacao

O contexto da história se dá em um mundo colapsado, devido aos excessos cometidos em relação à natureza”. Então é formado um conselho com seis nomes (mais tarde conheceremos o sétimo elemento). Iniciamos o texto com a apresentação de várias propostas de governo, do ponto de vista econômico, mudanças climáticas, saúde pública, segurança e educação. Cada nome do conselho apresenta suas propostas. Como leitora fui automaticamente levada a julgar as ideias, concordar com algumas e questionar outras. (E me dei o direito de me aborrecer também com essa reunião).

Quando o sétimo personagem, Noah entra na história, minha forma de leitura muda completamente. Primeiro achei o personagem o mais questionador, incômodo, depois me identifiquei com ele, estava mentalmente fazendo perguntas que mais tarde ele faria ao conselho.

Nas propostas percebemos a presença contínua de tecnologia para solucionar os problemas do planeta, monitorar comportamentos humanos, variações na água, solo...previsões de futuro com simulações. Mas será que essa “invasão” tecnológica, que nos auxilia tão bem com respostas rápidas e precisas sobre um assunto seria suficiente para recomeçarmos uma vida de modo sustentável? E o fator humano, perde sua utilidade?

O livro traz diversas pautas para discussão, desde religião ao comportamento humano (destrutivo e egoísta) diante da necessidade de sermos úteis à terra, no sentido de nos educarmos para a regeneração ambiental, social e a vida em comunidade. Me questionei várias vezes se esse modelo de sociedade apresentada nos daria liberdade pra sermos o que quisermos ou se estaríamos presos a um modelo de vida programada, assim como em Admirável mundo novo: controle e propósito.

Sobre as impressões, confesso que me incomodei bastante no início, com a forma de apresentação do texto, mas o livro segue uma lógica interessante, aos poucos tudo vai fazendo sentido. Me deu uma sensação de desespero no final porque fiquei na dúvida se o Noah (sétimo do conselho) deveria ou não participar de tudo isso. Mas fiquei satisfeita!



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Água-Mãe de José Lins do Rego

quinta-feira, 18 de junho de 2026
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Oi, Pockets!

Dando continuidade à minha leitura das obras de José Lins do Rego, a leitura da vez foi Água-Mãe publicado pela editora Global. Depois de conhecer os engenhos, foi interessante encontrar um cenário diferente, mas que mantém muitas das características que gosto na escrita do autor.

Desta vez, a história se passa às margens da Lagoa de Araruama, no interior do Rio de Janeiro, onde acompanhamos personagens de diferentes origens sociais cujos caminhos acabam se cruzando ao longo da narrativa. Entre pescadores, salineiros e uma família rica vinda da capital, José Lins constrói um retrato humano marcado por desejos, conflitos, perdas e desigualdades.

Mas preciso dizer que, para mim, a grande protagonista da história é a Casa Azul.

"Agora a Casa Azul era triste. Tinha uma história que contavam em voz baixa como se falassem de uma desgraça de família."

Abandonada durante anos e cercada por histórias sombrias, a casa está presente em praticamente toda a narrativa. Os moradores da região a enxergam com receio, alimentando lendas e superstições que passam de geração em geração. Gostei muito da forma como o autor trabalha essa atmosfera de mistério, sem transformar o romance em uma história de terror, mas mantendo constantemente a sensação de que algo paira sobre aquele lugar.

Outro aspecto que me chamou atenção foi a construção dos personagens. O livro apresenta um elenco grande, mas em nenhum momento tive a sensação de que eles estavam ali apenas para compor o cenário. Cada um carrega seus sonhos, suas fragilidades e suas próprias dores. E, mesmo pertencendo a mundos tão diferentes, existe um elemento que os aproxima: os laços familiares.

As figuras maternas tiveram um destaque especial para mim. São mulheres que enfrentam perdas, preocupações e desafios distintos, mas que encontram na maternidade um ponto de encontro capaz de ultrapassar diferenças sociais.

Água-Mãe não me envolvoveu da mesma forma que os outros do autor, mas foi uma leitura que reforçou minha admiração pela capacidade de José Lin criar personagens humanos e cenários que permanecem na memória muito tempo depois da leitura terminar.



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Poirot Investiga de Agatha Christie

quarta-feira, 17 de junho de 2026
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Olá Pockets!

Carol Grayshadow por aqui e hoje trago a indicação de um livro de Agatha Christie

📚Poirot Investiga - Leitura de Abril / 📖 LC - Lendo Agatha Christie em ordem cronológica

🕵🏻‍♀️mediadora @suesouzas

Poirot Investiga é uma coletânea que reúne quatorze contos protagonizados pelo célebre detetive belga Hercule Poirot. Diferentemente dos romances mais elaborados de Agatha Christie, nos quais a autora desenvolve longas tramas, múltiplos suspeitos e reviravoltas complexas, aqui encontramos histórias mais breves e diretas. Ainda assim, a habilidade da escritora em criar mistérios intrigantes permanece intacta, transformando cada conto em um pequeno quebra-cabeça que desafia o leitor.

A coletânea apresenta uma variedade interessante de casos. Alguns envolvem roubos de jóias e documentos importantes, enquanto outros exploram desaparecimentos inexplicáveis, assassinatos e até mesmo supostas maldições.

Entre os contos mais simples estão: 
•”A Aventura da Estrela do Ocidente” (3,5★), 
•”A Aventura do Apartamento Barato” (3,5★), 
•”O Roubo das Jóias no Grand Metropolitan” (3,5★),
•”A Mina Perdida” (3,5★).
São histórias agradáveis e bem construídas, mas que não atingem o mesmo impacto dos melhores momentos da coletânea.

No grupo intermediário aparecem contos sólidos e muito divertidos, como:
•”A Tragédia de Marsdon Manor” (4,0★), 
•”O Mistério de Hunter’s Lodge” (4,0★), 
•”O Roubo de Um Milhão de Dólares em Obrigações do Tesouro” (4,0★), 
•”O Primeiro-Ministro Sequestrado” (4,0★), 
•”A Caixa de Bombons” (4,0★).
Neles, Christie demonstra sua capacidade de criar soluções inteligentes sem perder o ritmo ágil exigido pelo formato curto.

Os grandes destaques ficam por conta de:
•”A Aventura da Tumba Egípcia” (4,5★), que combina superstição e investigação de maneira envolvente; 

•”O Desaparecimento do Sr. Davenheim” (4,5★), um dos enigmas mais engenhosos da coletânea; 
•”A Aventura do Nobre Italiano” (4,5★), marcada por um mistério elegante e bem conduzido;  

•”O Caso do Testamento Desaparecido” (4,5★), que evidencia o talento de Poirot para encontrar pistas invisíveis aos olhos dos demais. A única história que se mostra um pouco menos memorável, na minha opinião é:

•"A Dama de Véu" (3,0★).
Embora mantenha o charme característico da autora, seu desenvolvimento não alcança o mesmo nível de surpresa e satisfação presente nos demais contos.

No geral os contos são bem estruturados, variados e extremamente acessíveis, servindo tanto como uma excelente introdução ao personagem quanto como uma leitura prazerosa para admiradores da Rainha do Crime ou para aqueles que querem conhecer o seu trabalho.

Uma coleção de mistérios curtos que talvez não alcance a grandiosidade dos melhores romances de Agatha Christie, mas que demonstra, conto após conto, por que Hercule Poirot continua sendo um dos detetives mais brilhantes da literatura. Afinal, ninguém utiliza suas massas cinzentas melhor do que ele para desvendar os crimes mais misteriosos.

Avaliação: 🌟🌟🌟🌟

E você leitor? Já leu ou ficou interessado (a) nesse livro? Comenta 👇🏼 e vamos conversar sobre.



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