Olá Pockets, tudo bem?
Hoje apresento para vocês uma leitura de suspense, mistério e romance que me prendeu do começo ao fim. Operação Colares, da Luana Cruz, publicado pela Plataforma21, é daqueles livros que misturam uma história real com ficção de um jeito que deixa a gente sem saber no que acreditar. rsrs
O livro conta a história de Laila Rosário, uma jovem de 25 anos que trabalha com programação em Belém e que saiu da ilha de Colares, no Pará, aos 15 anos, jurando nunca mais voltar. Dez anos depois, ela retorna para o velório de dona Josi, a melhor amiga da sua avó Terezinha, e precisa encarar tudo que deixou para trás: o pai autoritário, a cidade que fofoca sobre tudo e Elis, sua ex-melhor amiga, que a recebe com muita mágoa.
“Laila demorara muito pra perceber que mistérios em cidade pequena são apenas histórias que ninguém tem coragem de contar em voz alta.”
Logo na chegada, no trapiche, Laila e Elis veem um pescador sair do mar todo queimado, carregando uma garrafa. Dentro dela há um bilhete assinado por Josué Rosário, o avô de Laila, que desapareceu no mar em 1977, antes mesmo de o pai dela nascer. E o bilhete pede:
“Por favor, me ajudem a derrotar as luzes.”
E no enterro de dona Josi, ao pôr do sol, uma luz atravessa o céu e cai no mar. A avó de Laila é a primeira a falar:
“As luzes voltaram para nos pegar.”
Para quem não conhece, Colares é famosa pela Operação Prato, de 1977, quando os moradores relataram luzes no céu que atacavam e queimavam pescadores, e os militares foram investigar. E é a partir dessa história real que a autora cria o mistério do livro.
Elis é professora e pesquisadora da Operação Prato, e as duas, mesmo com toda a mágoa, começam a seguir as pistas: cartas do avô, páginas de um diário que aparecem debaixo da porta, um mapa com trilhas pelo mangue. Enquanto isso, pescadores desaparecem, corpos aparecem queimados, a igreja pega fogo e um forasteiro misterioso, o Doutor, vai ganhando cada vez mais poder na ilha, com a ajuda do delegado.
Aos poucos descobrimos também por que Laila foi embora. O pai flagrou as duas juntas no trapiche e ameaçou expulsar a família de Elis da cidade, e Laila, com 15 anos, aceitou ir para Belém para proteger quem ela amava. É de partir o coração.
“O luto era assim, gostava de brincar de pique-esconde.”
Uma coisa que gostei muito é como as histórias das gerações se repetem. A avó de Laila, dona Terezinha, criou o filho sozinha como catadora de caranguejo, e vamos descobrindo os amores e os segredos do passado, que conversam muito com o que Laila e Elis vivem hoje. Laila também tem um namorado em Belém, Gabriel, com quem tem uma relação segura e confortável, mas sem paixão.
“Não queria ter que escolher entre estar apaixonada e me sentir segura.”
O romance entre Laila e Elis é lindo e delicado, e fala sobre homofobia familiar, sobre medo e sobre a coragem de parar de fugir de quem você é. Mas será que Laila vai conseguir descobrir o que aconteceu com o avô? O que são, afinal, essas luzes? E será que as duas terão uma segunda chance? rsrs
“Liberdade, assim como a revolução, só funciona se for coletiva.”
Essa história é sobre voltar para casa, sobre luto, família, comunidade e sobre o apagamento das histórias do Norte do país. A ambientação paraense é deliciosa, com “égua”, “pitiú”, carapanãs, açaí e chopp de cupuaçu, e a gente se sente andando pelo trapiche de Colares. Os capítulos têm nomes ligados às águas, como Cascata, Pororoca e Preamar, cada um com sua definição, o que achei muito criativo.
Na nota final, a autora conta que acredita nos relatos da Operação Prato e que quis honrar o lado místico do Pará, mostrando que “nossas vidas não são lendas”. Ela também explica que as cartas do avô foram inspiradas em relatos reais dos moradores, e que muitos lugares do livro existem de verdade.
É uma leitura envolvente, com capítulos curtos e ganchos que fazem a gente querer saber o que vem depois, e um mistério com uma revelação que eu não esperava. Os personagens secundários, como os avôs Tomé e Mário, o velho Jacinto e a amiga Natália, deixam tudo ainda mais especial.

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