Hello Pockets!!! 🖤📚
O que acontece quando aquilo que passamos a vida inteira tentando esquecer encontra uma maneira de voltar para nós? Talvez seja impossível atravessar : "A Casa das Memórias', de Yael van der Wouden -@yaelwoudenyael, da @astral.cultural, sem pensar nessa pergunta.
Isabel vive fechada em seu próprio mundo, agarrada às suas rotinas, aos objetos da família e a um passado que parece determinar cada parte de quem ela se tornou. Até que Eva, namorada de seu irmão Louis, chega para ficar na casa.
Eva é o oposto de Isabel: espontânea, inquieta, divertida, livre.
E essa presença tão diferente começa a desmontar, pouco a pouco, tudo aquilo que Isabel passou a vida tentando manter no lugar.
Foi uma leitura desconfortável. Angustiante. E eu gostei justamente por isso.
Confesso que Isabel me irritou em muitos momentos. Sua rigidez, seus silêncios, suas obsessões e a maneira como tenta controlar tudo ao seu redor me incomodaram profundamente.
Mas, ao mesmo tempo, quanto mais eu avançava, mais conseguia enxergar a mulher por trás daquela dureza.
E foi aí que o livro me pegou.
Wouden escreve de uma maneira tão íntima que, em determinados momentos, tive a sensação de estar muito perto de Isabel — quase dentro dos pensamentos dela. E isso nem sempre foi confortável.
Mas talvez essa seja uma das maiores forças do livro: ele não permite que a gente observe as personagens de uma distância segura.
A casa também ganha uma importância enorme na narrativa. Ela guarda objetos, lembranças, silêncios e segredos. É como se suas paredes soubessem muito mais do que aqueles que vivem dentro delas.
A relação entre Isabel e Eva traz desejo, descoberta e sentimentos difíceis de nomear, mas também me fez pensar sobre a diferença entre atração, paixão e amor — e sobre como nem sempre sabemos reconhecer o que estamos sentindo quando algo rompe aquilo que conhecíamos sobre nós mesmos.
E há ainda o peso da história e das marcas deixadas pelo pós-guerra, que atravessam a narrativa de maneira silenciosa, mas muito significativa.
Terminei o livro há algum tempo e, mesmo assim, ele continua voltando aos meus pensamentos. E quando uma história permanece dentro da gente mesmo depois da última página, alguma coisa muito forte aconteceu ali.
A Casa das Memórias não foi uma leitura confortável para mim. Foi uma leitura que me atravessou.nE talvez seja exatamente por isso que se tornou uma das mais marcantes.
Beijocas e inté a próxima! 💋📚
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